“Medidas tomadas cedo e sem conflito”. Economista alemão elogia resposta de Portugal à pandemia

“Ao que parece, as medidas foram tomadas relativamente cedo e também, ao contrário de Espanha, não existe um aparente conflito dentro do Governo ou entre o Governo central e as regiões de Portugal e isto é uma vantagem clara sobre Espanha”, sublinhou o professor emérito da Universidade da Bundeswehr (Forças Armadas) de Munique, que esteve recentemente um mês e meio em Portugal.

O economista alemão Friedrich Selle considerou hoje que as medidas de contenção para travar a pandemia de covid-19 em Portugal foram tomadas atempadamente, destacando ainda a ausência de conflito dentro do Governo acerca do tema.

“Ao que parece, as medidas foram tomadas relativamente cedo e também, ao contrário de Espanha, não existe um aparente conflito dentro do Governo ou entre o Governo central e as regiões de Portugal e isto é uma vantagem clara sobre Espanha”, sublinhou o professor emérito da Universidade da Bundeswehr (Forças Armadas) de Munique, que esteve recentemente um mês e meio em Portugal.

“A isto soma-se o que senti nos restaurantes, nas ruas e nas lojas, de que os portugueses estão a reagir com muita disciplina e paciência à pandemia e presumo que não seja o mesmo em Espanha”, destacou.

As medidas para a contenção do surto do novo coronavírus adotadas em Portugal foram das mais rápidas na União Europeia, ainda antes do registo da primeira morte, enquanto as restrições aplicadas em países como Espanha foram das mais tardias.

Os primeiros casos de covid-19 em Portugal (importados de Itália e Espanha) foram registados em 02 de março, quando já outros países europeus tinham dezenas ou centenas de infetados.

Em 12 março, o executivo de António Costa decretou o fecho de todos os estabelecimentos de ensino públicos e privados, medida com efeito a partir de 16 de março, e também nessa altura começaram a ser encerrados outros espaços não essenciais, dada a declaração de estado de emergência em todo o país (em vigor desde as 00:00 de dia 19 de março), que trouxe ainda restrições à circulação.

Em Espanha, a primeira vítima mortal foi registada em 03 de março e só seis dias depois é que o Governo espanhol suspendeu eventos no país.

O executivo de Madrid demorou, também, 11 dias (desde o primeiro óbito) a fechar escolas e estabelecimentos comerciais não essenciais e 12 dias a colocar restrições à circulação e nas fronteiras.

O professor Friedrich Sell, que defende a intervenção do Fundo Monetário Internacional (FMI) em Espanha, considerando que o país atravessa uma “crise profunda”, acredita que os dois países ibéricos atravessam situações muito diferentes, começando por lembrar os primeiros anos do Governo de António Costa.

“Houve inicialmente alguma apreensão na Comissão Europeia, sentida em alguns países europeus, de que tivesse sido constituído um governo muito à esquerda, e em que não se pudesse confiar tanto em relação ao quadro macroeconómico, que é tão importante para a Comissão Europeia. No entanto, o que temos assistido, pelo menos de fora, é que Costa fez um trabalho bastante moderado no campo macroeconómico e parece ser um parceiro confiável para os países europeus”, realçou.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 1,1 milhões de mortos e mais de 43 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 2.316 pessoas dos 118.686 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Depois de a Europa ter sucedido à China como centro da pandemia em fevereiro, o continente americano é agora o que tem mais casos confirmados e mais mortes.

Recomendadas

Desafios tecnológicos, burocracia, renováveis e perda de água em debate

A transição energética em Portugal e na Europa esteve em debate na conferência do sexto aniversário do Jornal Económico.

Transição energética não pode ser feita sem as pessoas

Empresas do sector energético destacam a importância das pessoas nos seus projetos. A transição não pode ser feita sem o envolvimento das populações locais e sem a conversão de postos de trabalho.

Escassez de carros e inflação dominam mercado da gestão de frotas

Há falta de carros, há falta de peças, há uma inflação galopante no preço das viaturas e há o perigo do abrandamento económico. São fatores negativos para as gestoras de frotas das empresas. Mas as gestoras têm soluções.
Comentários