Meng Wanzhou: de rececionista a CFO da maior empresa privada chinesa

Meng Wanzhou começou como rececionista na Huawei até ser promovida da CFO. Sobreviveu a um cancro, tem quatro filhos e duas casas em Vancouver, onde está detida. Se for acusada, poderá incorrer numa pena de prisão de até 30 anos.

Começou a trabalhar em 1993 como rececionista na empresa fundada pelo seu pai, o milionário Ren Zhengfei. Em 1999, depois de ter tirado um mestrado em contabilidade na Universidade de Huazhong, na China, foi transferida para o departamento financeiro da Huawei, a gigante multinacional de telecomunicações que é a maior empresa privada chinesa e a segunda maior produtora de smartphones mundial, à frente da Apple, mas atrás da Samsung. Detida no passado dia 1 no aeroporto de Vancouver, no Canadá, enquanto trocava de aviões, Meng Wanzhou, a CFO e vice-presidente da Huawei arrisca-se a uma pena de prisão de 30 anos, se for declarada culpada.

Até há bem pouco tempo, o nome de Wanzhou não era muito conhecido no mundo ocidental. Até porque a CFO resolveu, aos 16 anos, passar a utilizar o nome da sua mãe, Meng Jun, contrariando a tradição chinesa, em detrimento do nome do seu pai. Além disso, a executiva chinesa detida no Canadá é conhecida por Sabrina Meng ou Cathy Meng, noticia a BBC.

[frames-chart src=”https://s.frames.news/cards/huawei/?locale=pt-PT&static” width=”300px” id=”476″ slug=”huawei” thumbnail-url=”https://s.frames.news/cards/huawei/thumbnail?version=1541700627880&locale=pt-PT&publisher=www.jornaleconomico.pt” mce-placeholder=”1″]

Desde 2016 que os EUA têm investigado a Huawei por suspeitarem que a empresa chinesa usou uma subsidiária para fazer negócio no Irão. Nesse contexto, as autoridades canadianas detiveram Meng Wanzhou porque suspeitarem que a executiva chinesa defraudou instituições bancárias, alegando que a SkyCom era uma mera subsidiária, ajudando a Huawei a contornar as sanções impostas pelos EUA ao Irão. Mas, na realidade, “a SkyCom é a Huawei”, revelou um procurador canadiano.

A ministra dos Negócios Estrangeiros do Canadá, Chrystia Freeland, reforçou as declarações do primeiro-ministro canadiano, Justin Trudeau, segundo as quais a detenção de Meng Wanzhou não tem quaisquer motivos políticos. A ministra garantiu ainda às autoridades chinesas que o processo judicial será um processo justo e que irá seguir os ditames da lei. “O Canadá é um Estado de Direito”, frisou.

Segundo a BBC, os documentos submetidos no Supremo Tribunal de British Columbia, onde a executiva chinesa está a ser ouvida, revelaram alguns marcos da sua vida pessoal. Meng Wanzhou teve o estatuto de residente no Canadá até 2009, ano em que se mudou para a China. Mãe de quatro filhos,  sobreviveu ao cancro da tiróide e sofre de hipertensão e de problemas no sono, necessitando de medicação diária. De acordo com aqueles documentos, a CFO disse revelou que continua a sentir-se mal e mostrou-se preocupada com o agravamento do seu estado de saúde enquanto estiver detida. “Neste momento, tenho dificuldade em ingerir alimentos sólidos e tive de alterar a minha dieta para fazer face a esses problemas”, explicou Meng Wanzhou.

A filha do fundador da Huawei parece ter raízes fortes em Vancouver, onde tem duas casas. Avaliadas, no seu conjunto, em cerca de 14,4 milhões de euros, as duas casas foram dadas como garantias da sua fiança. Por isso, o seu advogado defendeu em tribunal que ela não constitui um risco em voar para fora do Canadá, para onde faz diversas viagens por ano para ver os seus filhos e o seu marido. De resto, Meng Wanzhou não pisou ou sólo norte-americano desde 2017, embora diga-se que o seu segundo filho esteja a estudar em Massachusetts, nos EUA.

Algo que não se percebe é o facto de Meng Wanzhou ser detentora de sete passaportes – quatro chineses e três de Hong Kong. Segundo apurou a BBC, a legislação chinesa obriga os cidadãos chineses a prescindirem do passaporte chinês caso queiram obter um passaporte de outra nacionalidade – Hong Kong é uma província autónoma chinesa. De resto, a imigração de Hong Kong esclareceu que vigora a política de um passaporte por pessoa apenas.

Relacionadas

China poderá reduzir tarifas às importações de automóveis produzidos nos EUA

Avanço nas negociações entre os EUA e a China pode reforçar as tréguas comerciais que começaram no passado dia 1 e têm um prazo de 90 dias. Ações das grandes construtoras mundiais subiram. Vendas de automóveis no mercado chinês desaceleraram no segundo semestre do ano.

Diretora da Huawei detida no Canadá alega razões de saúde para ser libertada

A diretora financeira da gigante chinesa das telecomunicações, detida no Canadá a pedido dos Estados Unidos, apelou na segunda-feira a um tribunal de Vancouver para que fosse libertada sob fiança, alegando razões de saúde.

China convoca embaixador norte-americano após detenção de diretora da Huawei

A China convocou hoje o embaixador dos Estados Unidos em Pequim para protestar contra a detenção da diretora financeira da operadora de telecomunicações chinesa Huawei e pediu a Washington que abandone o pedido de extradição.

China aumenta pressão sobre Canadá para que liberte Meng Wangzhou

O vice-ministro dos Assuntos Exteriores da China, Le Yucheng, convocou, no sábado à noite, o embaixador do Canadá, John McCallum, para lhe apresentar um “forte protesto” pela detenção de Meng Wangzhou em Vancouver e instou Otava a libertá-la de imediato, de acordo com um comunicado daquele gabinete chinês.

China insta Canadá a libertar executiva da Huawei sob ameaça de “consequências severas”

A diretora financeira da empresa tecnológica chinesa, Meng Wanzhou, foi detida a 1 de dezembro no Canadá, a pedido das autoridades fiscais dos EUA e por suspeita de fraude em relação às sanções económicas impostas ao Irão. Ministério dos Negócios Estrangeiros da China diz que o caso é “muito sujo” e exige a “libertação imediata” de Wanzhou.

Diretora financeira da Huawei acusada de fraude pelos EUA

Meng Wanzhou é acusada de “conspiração para defraudar diversas instituições financeiras”, passível de condenação a mais de 30 anos de prisão. A empresa tecnológica chinesa terá utilizado uma outra empresa, a SkyCom, para violar as sanções económicas impostas ao Irão.
Recomendadas

EDP procura startups mais inovadoras na área da energia

Elétrica lança a 7ª edição do Free Electrons em busca de startups inovadoras. Candidaturas decorrem até 28 de janeiro.

Mitos que bloqueiam progressão feminina e dificultam diversidade de género nas empresas

Relatório da Mazars e Gender Balance Observatory desmistifica mitos em contexto laboral, entre os quais a falta de ambição e a aversão ao risco entre as mulheres, a questão da maternidade ou das quotas e a meritocracia.

Mercado automóvel cresce 1,8% entre janeiro e novembro, mas muito longe dos números pré-pandemia

Dados da ACAP revelam que em termos globais, o mercado automóvel regista um crescimento de 1,8% entre janeiro a novembro de 2022, face a igual período do ano anterior. De referir que 11,1% dos veículos ligeiros de passageiros novos são elétricos (BEV).
Comentários