Menino querido do PS

É necessário que o centro-direita tenha a consciência de que enfrenta a maior crise desde 74. Em pouco tempo os novos partidos podem substituir os velhos.

1. O acontecimento mais importante da vida política nacional desta semana foi a autocomiseração no debate entre os candidatos a líder do PSD. Rui Rio ganhou o debate, vai ganhar a eleição interna e o PSD vai continuar a perder o país. Os “challengers” Miguel Pinto Luz e Luís Montenegro – a quem repetidamente Rio chamou nas últimas semanas de maçons ao serviço da política – estiveram combativos e enérgicos, mas não demonstraram capacidade para dirigir e mobilizar o eleitorado do centro-direita.

Vamos por partes. Rio do alto do seu pedestal de líder em funções demonstrou arrogância na forma como se dirigiu aos adversários, preferindo sempre o ataque mais pessoal do que político. Em termos de propostas pouco se viu para além da fiscalidade e economia, algo que está na ordem do dia à direita do PSD para os partidos que acabam de chegar ao Parlamento. Foi pouco assertivo sobre as propostas de António Costa para o OE 2020 e não se comprometeu a fazer uma oposição à esquerda parlamentar durante a atual legislatura.

Isto, na nossa ótica, revela sinais de desejo escondido que o atual PM ainda venha a precisar dele. Este é o grande objetivo de Rio e é esse o fardo que irá carregar nas eleições internas. Sinal disto tudo é o facto de, mal findo o debate, as redes sociais e comunicadores afetos ao PS classificarem o atual líder do PSD como o vencedor do debate.

Rio ganhou porque na realidade Montenegro e Pinto Luz, por muito bem intencionados e combativos são os únicos que vão comparecer às eleições diretas. Ficaram de fora nomes muito mais fortes para o país como Passos Coelho, talvez o mais desejado; Maria Luís Albuquerque, que Rio afastou das listas; Carlos Moedas que acabou de chegar a Portugal e optou pelo setor privado; Poiares Maduro que prefere continuar em Florença; Pedro Duarte, mais empenhado na Microsoft; Miguel Morgado com muitas ideias e poucas tropas e que se remeteu à academia; ou ainda Jorge Moreira da Silva.

Regressando a Montenegro. Tem um percurso político como deputado e como líder parlamentar de Passos Coelho, mas tem contra si o facto de nunca ter ido a votos, nem dentro nem fora do PSD. Tal como Pinto Luz, tem o apoio de homens importantes do aparelho, caso de Miguel Relvas (com o dom de estar a lançar duas candidaturas!).

Pinto Luz, que tem o futuro como lema da candidatura, revelou dotes desconhecidos mas falta-lhe o carisma. Claro que joga nestas eleições internas o seu espaço político dentro do PSD para as próximas autárquicas. Fora deste debate é necessário que o centro-direita tenha a consciência de que enfrenta a maior crise desde 74. Em pouco tempo os novos partidos podem substituir os velhos. Este é um fenómeno europeu e Portugal só está alguns anos atrasado.

2. Na última crónica falámos erradamente da “recapitalização” da Associação Mutualista do MG quando esta entidade fez investimentos avultados no banco.

3. O programa de Arrendamento Acessível foi uma boa ideia, mas é um projeto falhado nos atuais termos. Há 20 vezes mais procura do que oferta. O Bloco tenta intervir administrativamente mas este é um programa dirigido aos privados.

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