Mensagens de ódio nas forças policiais. MAI não quer que se confunda “a parte com o todo”

Sem nunca mencionar o Chega, partido apontado na reportagem como alvo das preferências partidárias dos agentes identificados, José Luís Carneiro alertou ainda que “é preciso lucidez também para evitar a partidarização num tema tão sensível e importante numa função de soberania e primacial do estado”.

Cristina Bernardo

José Luís Carneiro, ministro da Administração Interna, falou esta quinta-feira pela primeira vez sobre a reportagem que revelou a existência de mensagens de ódio por parte de forças policiais nas redes sociais e referiu que é preciso lucidez “para que não se não confunda a parte com todo”.

A IGAI vai abrir um inquérito à veracidade das notícias que referem a publicação, por agentes das forças de Segurança, de mensagens nas redes sociais com conteúdo discriminatório e que incitam ao ódio, foi ontem divulgado.

Numa nota do gabinete do ministro da Administração Interna é dito que José Luís Carneiro determinou à Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) “a abertura de inquérito, imediato, para apuramento da veracidade dos indícios contidos nas notícias de hoje sobre a alegada publicação, por agentes das forças de segurança, de mensagens nas redes sociais com conteúdo discriminatório, incitadoras de ódio e violência contra determinadas pessoas”.

O governante começou por realçar que “a situação que conhecemos agora através desta investigação exige da nossa parte uma atitude de grande lucidez, firmeza, determinação e consequência”.

“Lucidez em primeiro lugar para determinar que a Inspeção-Geral da Administração Interna, com isenção, imparcialidade, independência e rigor apure as origens, os factos e proponha decisões. Por outro lado, precisamos de lucidez para não confundirmos a parte com o todo e queria deixar uma palavra para a esmagadora maioria dos mais de 40 mil polícias e guardas que todos os dias zelam pela defesa dos valores constitucionais e do estado de direito”, destacou o ministro em declarações aos jornalistas.

Sem nunca mencionar o Chega, partido apontado na reportagem como alvo das preferências partidárias dos agentes identificados, José Luís Carneiro alertou ainda que “é preciso lucidez também para evitar a partidarização num tema tão sensível e importante numa função de soberania e primacial do estado”.

Por fim, José Luís Carneiro atentou para a necessidade de firmeza para a “necessidade de apurar responsabilidades” e apontou para que o inquérito que foi ordenado seja tão “célere, amplo e profundo quanto seja necessário”, realçando ainda que o mesmo deve ter consequências porque, de acordo com o governante, “todos os que atentam contra os valores constitucionais e integram forças que devem protegem esses valores, têm deveres acrescidos”.

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