Mercado cripto precisa de regulação para evitar desastres como o da FTX, diz CEO da Coinbase

O CEO da plataforma de ‘trading’ de criptoativos Coinbase, Brian Armstrong, considera que a mais recente implosão do sector é um ‘abre olhos’ e um sinal de que o mercado precisa de regulação.

O CEO da Coinbase, uma das maiores corretoras de criptoativos do mundo, considera que o mercado precisa de regulação urgente para evitar implosões como aquela que se deu na FTX esta semana. Num artigo de opinião publicado na ‘CNBC’, Brian Armstrong garante que a sua empresa “não tem qualquer exposição material à FTX”, mas sublinha que tem “muita simpatia por todos os envolvidos na situação atual”.

A FTX era até agora uma das maiores plataformas de trading de criptoativos no mundo. Na sexta-feira, depois de alguns avisos dados, a empresa declarou insolvência nos Estados Unidos, após revelações sobre o modelo de negócio da plataforma terem levado uma boa parte dos seus clientes a retirar capital.

“É stressante sempre que existe potencial para perda de clientes na nossa indústria e muitas pessoas estão a perder muito dinheiro com as dificuldades da FTX”, escreve Armstrong, que diz que é “importante sermos claros sobre o porquê disto ter acontecido”.

“A queda-livre da FTX parece ser o resultado de práticas comerciais arriscadas e pouco éticas, que incluem conflitos de interesse entre diversas partes e decisões que permitiram o empréstimo de ativos a consumidores sem permissão”, adianta o responsável máximo da Coinbase. Importa contudo referir que estas ações também acontecem nos mercados financeiros tradicionais, esclarece ainda o CEO, que acredita que tecnologia blockchain “tornará mais fácil rastrear e controlar [atividades] ao longo do tempo”.

Brian Armstrong admite que à luz dos desenvolvimentos na FTX – que já tinham feito soar alertas nos mercados depois da desistência de compra por parte da Binance  – o sector dos criptoativos tem “assistido a pedidos para mais regulação na indústria, com restrições mais apertadas no acesso”, diz.

“O problema é que, até agora, os reguladores norte-americanos recusam-se a apresentar regras claras e sensatas para as cripto que protegam os consumidores”, sublinha.

Armstrong diz ainda que tem sido difícil conversar sobre o tema da regulação e aponta ao dedo aos reguladores pela falta de iniciativa e assertividade, que a seu ver têm impedido o surgimento de produtos financeiros de confiança no sector dos criptoativos. As empresas como a Coinbase, Binance e outras tantas “não querem quebrar as regras, mas neste momento não sabem quais são as regras”, explica.

O resultado, diz, está à vista. “Os consumidores e traders têm-se envolvido com plataformas offshore, arriscadas e fora da jurisdição – e proteção – dos reguladores norte-americanos. Hoje, mais de 95% das transferências de cripto ocorrem” no estrangeiro, sublinha.

Quem anda à chuva molha-se?

Ainda na semana anterior, a ‘Reuters’ revelava que pela Binance tinham sido processados mais de 8 mil milhões de dólares em transferências cripto de ou a partir do Irão, uma clara violação das sanções económicas impostas ao país. Mas uma vez que a Binanca está fora da jurisdição norte-americana e alheia à esfera de influência dos bancos centrais, pouco ou nada pode ser feito contra a plataforma, que agarra a bandeira da descentralização com unhas e dentes.

Também em Portugal o surgimento de produtos e investimentos não regulados que envolvem criptoativos têm motivado avisos por parte da Comissão dos Mercados e Valores Mobiliários (CMVM). Mais recentemente, o caso JuicyFields terá levado milhares de portugueses a perder investimentos na casa dos milhões.

O regulador é categórico nestes casos: avisos não faltaram e, não sendo estas plataformas reguladas, não há proteção nenhuma para o consumidor, que é o mesmo que dizer: “Quem anda à chuva molha-se”.

Regressando à FTX, uma parte das razões que permitiram que o negócio operasse como operava era a sua sede fiscal – nas Bahamas, uma pequena nação insular que tem pouco ou nenhum agente regulador.

“Os reguladores forçaram a FTX a conduzir-se da forma como se conduziu? Não. Mas criaram sim uma situação que permitiu que a FTX criasse riscos perigosos sem qualquer repercussão”, considera o CEO da Coinbase.

A inércia da SEC (o regulador norte-americano) também não ajudou, destaca. “Tudo isto explica porque é que regulação pesada só tornaria o problema das empresas e utilizadores cripto maior. Em vez disso, precisamos de regulação inteligente que proteja os consumidores e que faça dos Estados Unidos um lugar mais atrativo para as empresas” do sector, avisa.

“Apesar de prevalecer a ideia de que as empresas cripto não querem ser regulados, muitas – se não todas – essas empresas têm trabalhado com os legisladores ao longo dos anos. Aqueles de nós que se interessam com o futuro das cripto querem criar regulação sensata para trocas centralizadas e vigiadas nos Estados Unidos e noutras regiões”, nota.

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