Mercado da segurança não escapa ao escalar da inflação

Especiaistas revelam que o aumento da inflação nos últimos meses tem levado a uma perda de poder de compra dos consumidores. Na cibersegurança, a guerra provocou um ataque a várias infraestruturas críticas e novas ameaças.

O aumento da inflação promete criar um cenário desafiante para as empresas de segurança privada em 2023. Em declarações ao Jornal Económico (JE), Luís Quintino, diretor de Operações da Securitas Direct, destaca, contudo, que o grupo vai continuar a trabalhar para oferecer o melhor serviço possível aos clientes a um preço competitivo.

“Continuaremos a procurar inovar e aumentar a segurança das pessoas nas suas casas através dos alarmes conectados da Securitas Direct. A inflação é algo que tem afetado todos os mercados e sabemos que o mercado da segurança privada não vai ser diferente”, refere, salientando que a escalada da inflação dos últimos meses tem levado a uma consequente perda de poder de compra dos consumidores.

“Estamos a reagir ao que tem acontecido no mundo e a procurar absorver parte da inflação sentida pelos clientes para continuar a oferecer o melhor em termos de qualidade-preço. A segurança das pessoas continua a ser um fator fundamental e acreditamos que a confiança na Securitas Direct, a única empresa do mundo 100% especializada em sistemas de alarmes conectados, se vai manter”, afirma.

Depois de em 2022 a empresa ter registado um crescimento de 8%, e apesar do cenário económico do próximo ano, o responsável acredita que a Securitas Direct pode continuar a cimentar a posição de liderança no mercado português.

Numa perspetiva de cibersegurança Joe Robertson, EMEA CISO, da Fortinet, realça, em declarações ao JE, que depois da aceleração que a empresa teve em 2020, o ano passado foi mais calmo, servindo como um período de consolidação, em que as organizações tentaram normalizar a situação para transformar as medidas urgentes em algo mais estável e seguro.

“Este ano tem sido muito mais próximo do que podemos chamar de ‘normalidade’, mas, infelizmente, a normalidade, em cibersegurança, significa novas ameaças e esforços para atualizar defesas”, salienta, dando como exemplo, a guerra entre a Rússia e a Ucrânia, que provocou muitos ataques a infraestruturas críticas, não se limitando apenas a esses dois países.

“Ao mesmo tempo, tem havido um aumento impressionante dos ataques de ransomware dirigidos a infraestruturas de TI e redes industriais, o que tornou executivos e conselhos de administração mais preocupados do que nunca em proteger os seus ambientes de produção”, sublinha o responsável, assumindo que esta tendência será ainda mais acentuada no próximo ano, pelo que a primeira prioridade, da redução dos custos, não deve comprometer a segurança da empresa.

“Se os custos tiverem de ser reduzidos ou mantidos constantes – e num ambiente de inflação -, o foco deverá centrar-se na eficiência das infraestruturas e da equipa”, defende.

No sector da segurança informática, tanto os ataques, como as medidas de segurança, estão em constante evolução. Como tal, Joe Robertson, enfatiza que pode ser perigoso atrasar a substituição do serviço. “Por isso, importa explorar o potencial dos serviços existentes, procurando novas funcionalidades, mas que ainda não estejam a ser utilizadas e que podem ter um custo inferior do que ter de adquirir um novo serviço”, conclui.

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