Álvaro Fernández: “Mercado laboral torna-se cada vez mais um mercado de candidatos”

Álvaro Fernández, diretor geral da Michael Page em Portugal traça o quadro atual das áreas mais deficitárias no mercado de emprego no país. Engenharia, finanças, consultoria, advocacia e logística estão na linha da frente.

“O ambiente profissional tornou-se mais competitivo, incerto, globalizado e altamente digitalizado, acentuando a importância do capital humano e da gestão do talento para a diferenciação das empresas”, afirma a Michael Page no estudo anual sobre tendências de recrutamento para 2022 para quadros executivos, em empresas de grande dimensão, cujas conclusões o Jornal Económico revelou. Álvaro Fernández, diretor geral da empresa, leva-nos agora pela rota das áreas mais deficitárias do mercado de emprego em Portugal. O quadro é sombrio.

Como caracteriza o atual mercado de emprego em Portugal?
Contratar talento de topo continua a ser essencial para desenvolver o negócio de qualquer empresa. Contudo, é uma tarefa que se torna cada vez mais desafiante. Com a quantidade de empresas a recrutar e a falta de profissionais qualificados com boa experiência, o mercado laboral torna-se cada vez mais um mercado de candidatos.

É geral?
As empresas e profissionais das tecnologias de informação já vivem este fenómeno há muito tempo, mas agora acentuou-se não só nesta área, mas também em outras muitas profissões, desde a engenharia às finanças, passando pela consultoria, advocacia ou logística.

Analisemos, então, as áreas mais deficitárias.
A transformação digital, que podemos incluir na chamada “indústria 4.0”, criou muitas posições novas no mercado de trabalho que não existiam anteriormente e fez evoluir outras para um novo tipo de perfil. No pós-pandemia, o e-commerce veio para ficar e vai trazer a procura de perfis relacionados com a área de logística, marketing digital, estratégia e customer service. Por outro lado, a área de compliance será obrigada a auditar e acompanhar a era digital, resultando na procura de perfis para esta área.

Na área das Tecnologias da Informação, onde por norma há escassez para a maioria dos perfis, as áreas de cibersegurança, DevOps, SW, particularmente Frontend e Quality Assurance são particularmente desafiantes na seleção de talento.

No Direito e consultoria, que panorama traça?
Na área de Legal destacam-se com maior procura por profissionais as àreas de Corporate & M&A, Fiscal, Direito Público, Contencioso Civil, Direito Imobiliário, Laboral e Comercial. Por parte das empresas, manteve-se o interesse por perfis mais generalistas e versáteis, com background nas áreas de Corporate, Civil e Comercial, bem como algumas necessidades na área de Proteção de Dados. Nas consultoras, o foco continua a ser nas três áreas tradicionais: Auditoria, Consultoria e Impostos. No momento de atração destes talentos, verifica-se uma grande tendência de procura de posições no cliente final.

Também a crescente procura de paralegal assistants tem-se registado em vários sectores de atividade, desde sociedades de sdvogados até aos departamento jurídicos dentro das empresas. Esta necessidade prende-se com o facto de cada vez mais ser necessário um elevado grau de especialização no desempenho das funções.

A existência desta função é muito comum noutros países, concretamente no Reino Unido onde a paralegal é uma função comum e onde existem muitas pessoas com competências na área. Em Portugal verificamos que as pessoas que preenchem estas vagas, apesar de ainda serem poucas, são na sua maioria licenciados em Direito, Solicitadoria ou Ciência Jurídicas, que não exercendo uma área de prática querem trabalhar na área Jurídica.

O que procuram as empresas vossas clientes na área digital?
Na área digital, a grande maioria dos nossos clientes nesta área procura hoje um “Head of Digital”, alguém capaz de conciliar a conceção da estratégia e a sua operacionalização, um ‘doer’, ‘hands on’, que conhece as ferramentas, as técnicas, que sabe onde investir e como medir resultados, para além de saber contratar e gerir a sua equipa. Os candidatos que adquiriram e souberam reciclar constantemente este know how, continuam a ter um nível de empregabilidade relativamente garantido.

Quais são os perfis mais procurados na área da Engenharia?
Em Engenharia os perfis mais procurados — engenheiros de Processo, engenheiros de Melhoria Contínua, supervisores de Produção, técnicos de Manutenção, gestores de Projeto e engenheiros de Produto — estão ligados às áreas de Logística e Supply Chain, onde a procura por candidatos passou por vezes a ser superior à oferta de profissionais disponíveis no mercado.

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