Mercados financeiros cada vez mais focados nos temas ‘verdes’, diz PwC

Para a PwC, o sector financeiro deve apresentar incentivos e financiamentos para que a transição seja possível no contexto empresarial.

Cristina Bernardo

Numa altura em que as alterações climáticas estão em permanente discussão, a PwC usou-as como introdução para o tema do ESG (Environmental, Social e Governance) e de como o sector e mercados financeiros têm a possibilidade de atual ao nível da promoção de estratégias de investimento e financiamento.

No Fórum Banca 2022, promovido pelo Jornal Económico e a PwC esta sexta-feira, na Fundação Calouste Gulbenkian, o diretor da consultora PwC, Nuno Cordeiro, notou que o aumento das temperaturas tem um impacto transversal a todos os sectores económicos e que “para uma pequena economia como a nossa, é impossível ficarem sectores de fora”.

Citando um estudo do BCE, Nuno Cordeiro explicou que existem duas formas que o sector financeiro tem para contrariar um impacto superior em Portugal é apresentar uma transição ordenada onde “sim, vão verificar-se custos iniciais até 2030” mas que a estruturação de um plano vão trazer “alterações tecnológicas, legislativas e fiscais” e depois no futuro se consegue uma compensação dos custos efetuados. O outro cenário, não tão favorável a longo prazo, é “manter o rumo atual, onde não há custos e esforços de transição, e em 2030 começamos a sentir efeitos físicos dos riscos que nos vai levar a trabalhar de forma acelerada num curto espaço de tempo e levar a custos muitos superiores e onde não existe lógica de compensação”.

Para a PwC, a solução é simples: trabalhar o mais cedo possível na transição, uma vez que o estudo do BCE mostra que a rentabilidade das empresas é 40% inferior e o risco é 6% mais elevado no segundo cenário proposto.

De forma a avançar, Nuno Cordeiro lembrou que o sector tem de apresentar incentivos, nomeadamente novos rácios prudenciais e ainda estabelecer um nível mínimo de rádios para “orientar o balanço, investimento e financiamento”.

O diretor da consultora apontou que os mercados estão cada vez mais focados nos temas ‘verdes’ e que se tem observado “sinais de crescimento no mercado das securitizações, sendo que estas tê um papel decisivo na lógica da ação de sustentabilidade e transição da economia”.

“Se os rácios tiverem níveis vinculativos, vão obrigar as instituições a fazer um balanço e os mercados podem dar resposta. Os rácios podem dar oportunidades de negócio a quem tiver o balanço já preparado e rácios em cumprimento”, adiantou Nuno Cordeiro no Fórum Banca 2022.

O diretor lembrou ainda que a taxonomia europeia alavanca os sectores económicos mais relevantes, uma vez que estes definem critérios técnicos para “perceber se a atividade já fez a transição”. Para isso, existe uma lógica tripartida na taxonomia, em que o contributo deve ser substancial para o objetivo ambiental, não pode prejudicar os outros objetivos e deve promover as condições mínimas.

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