Mercados ignoram querela sobre novo governo. Portugal vai buscar 1,4 mil milhões a taxas negativas

Portugal concretizou esta manhã um leilão duplo de Bilhetes do Tesouro, com vencimentos a 3 e 11 meses. Os 1,4 mil milhões de euros captados ultrapassaram o montante indicativo entre os 1 e os 1,25 mil milhões de euros, o que, segundo Steven Santos, gestor do BiG “ revela bem a procura dos investidores por […]

Portugal concretizou esta manhã um leilão duplo de Bilhetes do Tesouro, com vencimentos a 3 e 11 meses. Os 1,4 mil milhões de euros captados ultrapassaram o montante indicativo entre os 1 e os 1,25 mil milhões de euros, o que, segundo Steven Santos, gestor do BiG “ revela bem a procura dos investidores por rendimento, por mais baixo que possa parecer.”

O facto de duas semanas depois das eleições ainda não se saber quem vai formar governo e a existência de “condições” para que esse Governo até possa vir a ser de esquerda, como, ontem,  anunciaram os líderes do PS, António Costa, e do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, não assustam os mercados. Se dúvidas houvesse foram dissipadas esta manhã com esta emissão de Bilhetes do Tesouro.

Na linha a 3 meses, a taxa de juro exigida baixou de -0,013% para os -0,021%. Steven Santos destaca que, “apesar de o IGCP ter obtido uma taxa ainda mais negativa na maturidade curta, voltar a captar financiamento a juros negativos não era uma condição indispensável para a operação ser bem-sucedida.”

O objetivo principal deste leilão duplo era substituir os títulos de curto prazo próximos da maturidade, como os 1.404,84 milhões de euros que vencem a 20 de Novembro e os 842.622 euros que vencem a 18 de dezembro.

Na linha a 11 meses, o juro médio exigido caiu de 0,021% para 0,006%. A maior fatia da operação foi colocada nesta linha.

 “Os resultados extremamente positivos revelam que os investidores mantêm a confiança nos fatores fundamentais da economia portuguesa, apesar de ainda não ter sido formado governo, mais de duas semanas depois das eleições”, salienta o gestor do BiG.

Na recente emissão de obrigações a longo prazo, os investidores já tinham demonstrado forte interesse na dívida nacional. De resto, acrescenta Steven Santos, “os juros exigidos no mercado secundário de dívida são agora ligeiramente mais favoráveis do que em agosto, mês marcado pelo pessimismo exacerbado em torno do crescimento económico na China, o que fazia antever um resultado positivo para o duplo leilão de hoje”.

Steven Santos considera que o timing da operação foi oportuno, na medida em que só a Alemanha emitiu obrigações a dois anos (Schatz) no mercado primário. De resto, Portugal não enfrentou a concorrência doutros países periféricos que pudesse atrair a atenção dos investidores, numa manhã calma no mercado europeu de dívida soberana.

[Leia também o comentário do Banco Carregosa]

OJE

 

 

 

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