Mercados reagem ‘cool’ ao referendo italiano, Milão já inverte quedas

Depois dos choques imediatos do Brexit e da vitória de Trump nos mercados acionistas, a vitória do ‘Não’ no referendo constitucional italiano não trouxe uma tempestade às bolsas europeias.

Brendan McDermid/Reuters

O índice italiano MIB, que chegou a cair mais de 2% no início da sessão, recuperou e sobe agora 0,46% e acompanha o sentimento positivo das principais praças europeias. Algumas das quais sobem ligeiramente acima de 1%, incluindo Paris e Frankfurt.

O índice italiano da banca, visto pelos analistas como o mais exposto ao resultado do referendo, chegou a tombar mais de 4% e recua agora 1,30%. O índice Stoxx 600 da banca europeia sobe 0,9%.
Ontem, o primeiro-ministro italiano anunciou a demissão, após a derrota esmagadora no referendo constitucional. Depois de serem conhecidos os primeiros resultados dando a vitória ao ‘Não’, Renzi assumiu a derrota dizendo que o seu “Governo termina”.

“Esta é a primeira vez que as sondagens batem certo”, disse Ken Peng, estratega do Private Bank, em Hong Kong, à Bloomberg. “Os mercados, especialmente instituições como bancos, estavam preparados para isto. Não vai haver uma disrupção significativa nos mercados financeiros”, acrescentou o responsável.

A ‘Yield’ das Obrigações italianas a 10 anos sobem 10 pontos base para os 2, 01%, tendo chegado a subir 14 pontos base. Segundo analistas, este desagravar está relacionado com a menos probabilidade de haver eleições antecipadas.

A equivalente da dívida portuguesa sobe sete pontos base para 3,79%.

“A maioria dos participantes no mercado não espera eleições antecipadas apesar da demissão de Renzi deverá ser formado um novo governo, o que poderá levar a alguma estabilidade”, disse à Reuters Seamus Mac Gorain, manager de portefólio na JP Morgan Asset Management.

O responsável adiantou ainda que o BCE está a comprar dívida italiana para evitar uma escalada dos juros. “O foco dos investidores está agora virado para a reunião de quinta-feira.” O presidente do Banco Central Europeu irá falar hoje à tarde (14h00) na reunião do Eurogrupo.

Também o euro tocou mínimos de 20 meses após a demissão de Matteo Renzi. Neste momento, a divisa europeia deprecia 0,3% para os 1,0635 dólares.

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