Metade das empresas portuguesas aponta “falha de medidas de cibersegurança” como principal risco em 2022

O estudo da Marsh tem como objetivo principal fazer uma ponte com o “Global Risks Report 2022”, desenvolvido pelo World Economic Forum, ou seja, perceber de que forma as empresas nacionais e internacionais estão a preparar o seu futuro a curto e médio prazo com base nos riscos, tendo em conta os desafios impostos pelo contexto atual.

Com o mundo a viver um dos momentos mais delicados das últimas décadas, as empresas portuguesas revelam várias preocupações geradas pela pandemia de Covid-19, a guerra na Ucrânia e o aumento da inflação.

De acordo com o estudo “A Visão das Empresas Portuguesas sobre os Riscos 2022”, elaborado pela Marsh Portugal, 51% das empresas portuguesas considera que a “falha de medidas de cibersegurança” é o principal risco que o mundo poderá vir a enfrentar em 2022.

O estudo da Marsh tem como objetivo principal fazer uma ponte com o “Global Risks Report 2022”, desenvolvido pelo World Economic Forum, ou seja, perceber de que forma as empresas nacionais e internacionais estão a preparar o seu futuro a curto e médio prazo com base nos riscos, tendo em conta os desafios impostos pelo contexto atual.

Para elaborar o estudo, a Marsh contou com a participação de 115 representantes de um leque diferenciado de organizações, durante dezembro de 2021 e janeiro de 2022, pertencentes a diversos sectores de atividade, de diferentes dimensões, tanto de volume de faturação como de número de colaboradores, cotadas ou não em Bolsa.

Fernando Chaves, especialista de riscos na Marsh Portugal, afirma ao Jornal Económico que “ao longo dos últimos anos, principalmente em empresas de grande dimensão, sentimos a diferença da importância dada ao risco. Resumia-se às empresas do PSI (ex-PSI-20), mas praticamente todas já dão importância ao risco”.

No estudo, é possível confirmar que a maioria das empresas (86%) dá importância à gestão de riscos. No entanto, um dos destaques pela negativa vai, precisamente, para o número crescente, de 9% em 2021 para 14% em 2022, de empresas que não se focam nesta questão, ao retomarem o mesmo intervalo de valores que se verificavam no período pré-pandemia. Sobre o orçamento que dedicam a esta área, 37% das empresas diz que o valor aumentou em 2022.

“A crise que vivemos dá ainda maior relevo à competitividade entre empresas, dando razão à conhecida ideia de que não é o mais forte que sobrevive, mas o que melhor se adapta às mudanças. Por isso, é crucial apostar cada vez mais em equipas profissionais e multifacetadas em gestão de riscos”, acrescenta o responsável.

Mais de metade das empresas portuguesas (51%) considera a “falha de medidas de cibersegurança” como o principal risco a nível mundial em 2022, seguindo-se a pandemia/propagação rápida de doenças infeciosas com 48%, os choques nos preços dos produtos (commodities) 57% e a inflação, com 45%. Ainda assim, 40% das empresas destaca os eventos climáticos extremos como outros dos principais riscos.

Sobre os riscos que as empresas admitem enfrentar diretamente, sublinham-se as falhas na cadeia de abastecimento (58%), ataques cibernéticos (53%), instabilidade política ou social (45%), pandemia de Covid-19 (36%) e a retenção de talentos (34%).

A atração e retenção de talentos tem sido um dos principais desafios colocados às empresas portuguesas. Para o responsável da Marsh, a Covid-19 “veio pressionar cada vez mais as organizações, no sentido em que grande parte das gerações mais jovens são explicitas sobre as condições em que querem trabalhar, com reforçada importância do teletrabalho ou o trabalho remoto”. Aqui, Fernando Chaves aponta que “a mudança não foi acompanhada pelas empresas e sente-se de uma forma generalizada”.

“Isto é encarado como um risco. A velocidade a que estamos a produzir talento saído das universidades não está a acompanhar as necessidades da procura. Nos próximos anos é preciso garantir que é preciso reter talento, sob pena de perdemos competitividade. Por outro lado, sendo um risco, as organizações também tem de juntar à atração de jovens recém-formados a necessidade de investir na requalificação dos colaborados com mais experiencia, mas com menos capacidade digital, para poderem dar resposta aos desafios”, refere Fernando Chaves.

Impacto da Covid-19 nas empresas portuguesas

Em 2021, 25% das empresas afirmou não ter sido impactada pela pandemia de Covid-19, percentagem que aumentou de 16% em 2020. Das empresas inquiridas, 41% admite ter sofrido impactos negativos a nível operacional no ano passado, um aumento de 10% face a 2020. Já os impactos negativos financeiros tiveram uma melhoria de 36% em 2021 para 20% este ano. Quanto às áreas mais afetadas pela pandemia, as empresas portuguesas identificaram a de operações com 41%, recursos humanos com 36% e a logística com 35%.

Agenda ambiental foi reforçada

Apesar da alteração de posição dos riscos ambientais no ranking deste ano, com alguma perda de destaque face a outros riscos de curto-prazo, 55% das empresas portuguesas afirmou dar uma maior importância ao tema ambiental, em comparação com 47% em 2021.

“As organizações têm de demonstrar evidencia de que são realmente sustentáveis, importância que continuará a ser reforçada no próximo ano e meio. Assim, a temática do ESG, acarreta riscos, que serão ponderados em várias indústrias, mas especialmente entre as pequenas e médias empresas. A pressão vem de cima para baixo, ou seja, para se ser fornecedor de uma grande organização é preciso dar mostra da existência de medidas concretas e evidência das mesmas”, sublinha Fernando Chaves.

Fernando Chaves sublinha que é “fundamental que exista uma mobilização urgente para uma ação climática e para uma transição energética. As organizações têm de ponderar um maior número de cenários de risco, considerando até os mais imprevisíveis. O futuro das gerações mais novas está nas mãos das soluções que construirmos agora”.

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