Metade do sistema bancário português está em ‘mãos estrangeiras’

Os bancos controlados por investidores estrangeiros ou em que o capital estrangeiro é preponderante representam quase metade do sistema bancário português.

Jose Manuel Ribeiro/Reuters

Os bancos controlados por investidores estrangeiros ou em que o capital estrangeiro é preponderante representam quase metade do sistema bancário português, quer em activos quer em passivos, segundo cálculos feitos pela Lusa com dados da Associação Portuguesa de Bancos (APB).

Os bancos Millennium BCP, Santander Totta e BPI, mas também os mais pequenos BIC, BBVA, Bankinter ou Haitong representavam, no final do primeiro semestre, cerca de 47% do total de activos do sistema bancário.

Estas contas foram feitas a partir dos últimos balanços consolidados disponíveis no ‘site’ da Associação Portuguesa de Bancos (APB), segundo os quais em Junho de 2016 o activo total do sistema bancário português (aplicações noutras instituições de crédito, instrumentos financeiros, como acções e obrigações, mas sobretudo crédito a clientes) ascendia a 371 mil milhões de euros.

Estes bancos com capital estrangeiro maioritário ou predominante tinham ao todo um passivo correspondente a 47% do total que era de 343 mil milhões de euros no final de Junho. O passivo bancário agrega as responsabilidades que os bancos têm para com terceiros, de que se destacam os depósitos dos clientes.

No capital estrangeiro na banca portuguesa é evidente a predominância de Espanha, mas também de Angola, com investidores fortes que chegaram nos últimos dez anos.

Mais recentemente verifica-se a ofensiva dos investidores chineses na banca, que segundo vários analistas aproveitam Portugal e os preços ‘a desconto’ actualmente existentes como uma oportunidade para entrarem na Europa.

Esta aposta materializou-se em força em novembro com a entrada do grupo chinês Fosun no BCP e logo como principal accionista, superando a petrolífera angolana Sonangol. Até aí, o investimento chinês na banca limitava-se ao BES Investimento, que foi comprado em 2015 pelo grupo Haitong, de Hong Kong.

Entre os principais bancos a operar em Portugal, mantêm-se actualmente 100% portugueses a Caixa Geral de Depósitos, que é pública, e ainda os mais pequenos Montepio e Crédito Agrícola.

Também o Novo Banco, o banco de transição que ficou com ativos e passivos do Banco Espírito Santo (BES), é para já totalmente detido por capital português (do Fundo de Resolução Bancário), uma situação que deverá ser provisória. Isto porque o Novo Banco está em processo de venda e a imprensa tem adiantado que o fundo chinês Minsheng apresentou a melhor proposta financeira, acima das propostas dos fundos norte-americanos Apollo e Lone Star.

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