Metade do tráfego aéreo nacional está fora de Lisboa, lembra Secretária de Estado do Turismo

A secretária de Estado do Turismo pediu aos empresários que não baixem braços enquanto continua a discussão em torno do novo aeroporto para a capital, elogiando ainda o trabalho de angariação de rotas que foi feito durante a pandemia pelo Turismo de Portugal.

Cristina Bernardo

Uma decisão quanto ao novo aeroporto de Lisboa é necessária, mas o país não deve esquecer a restante infraestrutura aeroportuária já existente no país, responsável por metade do tráfego aéreo nacional, argumenta Rita Marques, secretária de Estado do Turismo. Na VI Cimeira do Turismo Português, organizada esta terça-feira, a governante enalteceu a recuperação do sector desde os difíceis tempos da pandemia, e pediu aos empresários que não desistam enquanto continua a discussão quanto ao novo aeroporto para a capital.

Rita Marques reconheceu a importância do atual aeroporto da Portela, mas relembrou que este representa apenas metade do tráfego aéreo, pelo que o país não deve esquecer as restantes infraestruturas.

“Façamos todos um esforço para que os outros 50%, que dependem de nós, possam ser mais angariadores de turistas, de melhores turistas”, pediu a secretária de Estado. Para este efeito, será necessário o contributo dos vários agentes do sector, continuou Rita Marques, que aproveitou para elogiar o papel do Turismo de Portugal na angariação de rotas.

“A angariação de rotas é um trabalho contínuo, mas também desenvolvido no recato, na tranquilidade. Aquilo que estamos a viver agora em Portugal resulta desse trabalho feito durante a pandemia, liderado pelo Turismo de Portugal”, considerou.

Ainda assim, os desafios serão muitos, admite. O primeiro é transversal a vários sectores, mas tem assumido uma preponderância mais clara na fileira turística: a captação e retenção de recursos humanos qualificados. Reconhecendo que o sector paga abaixo da média nacional, Rita Marques elogiou o ritmo a que este diferencial tem vindo a diminuir, bem como soluções inovadoras dos empresários para atrair mão-de-obra estrangeira, como as ofertas de habitação aos trabalhadores.

“Este é um sector feito de pessoas para pessoas […] – temos de começar a preocupar-nos com os primeiros”, defendeu.

Por outro lado, a incerteza dominará a economia global nos próximos trimestres, pelo que o papel do Estado será importante no apoio dos empresários. Nessa medida, Rita Marques lembrou que “tudo o que está no plano ‘Reativar o Turismo’ já está desse lado [dos empresários]”, pelo que lhes cabe agora “investir nos seus negócios com essas grandes agendas” de sustentabilidade e inovação em mente.

“Como em qualquer crise, temos aqui mais uma oportunidade”, rematou a secretária de Estado, mostrando o seu agrado pela oportunidade para “celebrar esta vitória” depois da recuperação de “um sector altamente fustigado por uma pandemia”.

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