Mia Couto critica espera de cinco horas no aeroporto de Lisboa: passageiros fora da UE foram tratados como “gado”

“Jovens, mães com crianças, idosos e pessoas com deficiência” foram obrigados a esperar entre “quatro a cinco horas de pé”, denunciou o escritor.

O escritor moçambicano Mia Couto deixou fortes críticas à forma como os passageiros de países externos à União Europeia tiveram de enfrentar “filas quilométricas” no aeroporto de Lisboa durante o fim de semana, tendo sido tratados como “gado”.

“O que se passou hoje [13 de junho] no aeroporto internacional de Lisboa foi uma enorme afronta contra a dignidade humana. Filas quilométricas de passageiros foram tratadas como se fossem gado, obrigadas a esperas que iam de quatro a cinco horas, de pé, sem a mais pequena das explicações, sem o apoio de uma cadeira, de água ou de qualquer conforto, fosse esse conforto a simples presença de alguém que atendesse os casos de pessoas com necessidades especiais”, escreveu Mia Couto em artigo de opinião no jornal “Público”.

“A humilhação foi distribuída por igual entre os que não tivessem um passaporte da União Europeia. Jovens, mães com crianças, idosos e pessoas com deficiência foram obrigados sentar-se no chão e ali esperaram até que a exaustão se converteu num imenso clamor de protesto e de revolta. Vergonha, isto é uma vergonha, gritavam as pessoas”, acrescentou.

“O que se passou hoje no aeroporto de Lisboa é um atentado contra a tradição portuguesa de bem receber os outros. É a pior das receções que um estrangeiro pode ter à chegada a um país que escolheu e pagou para visitar. Senti isso na pele, juntamente com centenas de pessoas já exaustas depois de longos voos e que, em vez de um abraço de boas-vindas, enfrentaram a humilhação de um dia que não esquecerão nunca”, de acordo com o escritor

“Portugal perde, com estes casos, uma boa ocasião para não ser mais um desses países que recebe com duas portas: uma para os europeus e outra para os que parecem ser menos cidadãos neste mundo que se diz global, rematou.

Mia Couto venceu o Prémio Eduardo Lourenço em 2011, e foi galardoado com o Prémio Camões em 2013.

O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) disse na segunda-feira que houve um pico de 50 mil passageiros no aeroporto de Lisboa no fim de semana, incluindo três mil pessoas provenientes de voos a controlar pelo SEF.

“Muito honestamente, não estávamos preparados para este aumento exponencial de turismo e de passageiros”, disse a inspetora Ana Vieira, citada pela “Lusa”.

O SEF disse que o Plano de Contingência para os aeroportos portugueses só vai estar a funcionar em pleno a partir de 4 de julho, passando a contar com um total de 529 elementos.

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