Michel Barnier sobre o Brexit: “Chegámos ao momento da verdade”

O negociador chefe do Brexit pelo lado de Bruxelas exorta as duas partes para que se apressem, sob pena de os dois blocos passarem – com grande dano, segundo os analistas – a reger-se pelas normas da OMC.

David Fitzgerald/Web Summit

Entre promessas de empenhamento, manifestações de enfado e ameaças de novos adiamentos, o negociador-chefe do lado de Bruxelas, o francês Michel Barnier – que não colhe grande amizade na sede do governo britânico – veio mais uma vez apelar a que as duas equipas ultrapassem as divergências e cheguem rapidamente a um acordo. “É o momento da verdade”, disse – para enfatizar que o Reino Unidos e a União Europeia têm apenas algumas horas para percorrerem o estreito caminho estreito para um acordo comercial.

Um acordo garantiria que o comércio de bens entre os dois lados do Canal da Mancha, que representa metade do comércio anual União Europeia-Reino Unido, permaneceria livre de tarifas e cotas após 31 de dezembro. “Há uma hipótese de chegarmos a um acordo, mas o caminho para esse acordo é muito estreito”, disse Barnier.

“Estamos em uma situação muito séria e sombria. Temos muito pouco tempo restante, apenas algumas horas para trabalhar essas negociações de uma forma útil, se quisermos que este acordo entre em vigor no primeiro dia de janeiro”, disse.

Recorde-se que o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, disse à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, num telefonema esta quinta-feira, que as negociações estavam a passar por uma “situação séria” e que parecia altamente improvável que o acordo fosse alcançado a menos que a posição da União mudasse substancialmente. Johnson é de opinião que o Brexit resulta numa hipótese de transformar o Reino Unido numa economia totalmente independente, que seria muito mais ágil que seus concorrentes.

Barnier disse que a União precisa de ser capaz de impor barreiras comerciais caso o Reino Unido mude os seus regulamentos para oferecer produtos abaixo do padrão no mercado do bloco.

Para os analistas, o fracasso em ambas as partes chegarem a um acordo sobre o comércio de bens resultaria numa onda de choque nos mercados financeiros, prejudicaria as economias da Europa e semearia o caos ao longo de delicadas cadeias de abastecimento que se estendem por toda a Europa.

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