Michel Houellebecq: o mais recente defensor europeu de Donald Trump

O escritor francês, célebre pelos seus livros provocatórios, diz na revista norte-americana ‘Harper’s’ que “Donald Trump é um dos melhores presidentes” de sempre.

Jonathan Ernst / Reuters

Michel Houellebecq, um dos mais importantes escritores franceses da atualidade – vencedor do prestigiado Goncourt em 2010 – e que se esforçou desde sempre por assumir uma postura de grande provocação – é o mais recente europeu a ‘sucumbir’ ao deslumbramento das políticas do presidente norte-americano Donald Trump.

Numa iniciativa que serve para marcar o seu regresso ao romance – ‘Serotonina’ (um neurotransmissor associado ao estado de felicidade) está previsto para chegar ao mercado a 4 de janeiro próximo – Michel Houellebecq disse num texto publicado na revista norte-americana ‘Harper’s’ que “Donald Trump é um dos melhores presidentes norte-americanos” que já viu.

O escritor francês acostumado a cultivar controvérsias acredita que a política do bilionário tem por mérito confirmar o fim do imperialismo norte-americano. Para ele, a política de ‘desengajamento’ internacional iniciada por Barack Obama e amplificada por Donald Trump é “uma notícia muito boa para o resto do mundo”.

“Os americanos estão a deixar o grupo. Eles deixaram-nos existir”, escreveu Houellebecq no texto, onde ele também saúda o facto de os Estados Unidos terem parado de “espalhar” os seus valores no exterior, valores esses, segundo ele, questionáveis, como a democracia ou a liberdade de imprensa.

Em termos de comércio internacional, “Trump traz uma dose saudável de ar fresco”, diz: Donald Trump não considera o livre comércio globalizado como uma panaceia para o progresso humano, “ele rasga os tratados e os acordos quando acha que não deve assiná-los, e ele está certo”.

Segundo Michel Houellebecq, o bilionário republicano “foi eleito para defender os interesses dos trabalhadores americanos, e defende os interesses dos trabalhadores americanos. Gostaríamos de ver esse tipo de atitude em França com mais frequência nos últimos 50 anos”.

O escritor francês, um dos mais traduzidos fora do país, também está em linha com Trump na hostilidade contra a União Europeia e na defesa do Brexit: os europeus estão “sem valores comuns e interesses comuns”, pelo que “a Europa não existe”, “é uma ideia estúpida que se transformou num pesadelo”.

E se Trump se proclama um “nacionalista”, para desgosto dos democratas que veem nisso insinuações de extrema-direita, Michel Houellebecq também se identifica com o termo: “os nacionalistas podem conversar entre si enquanto, estranhamente, o mesmo não se passa com os internacionalistas”, diz.

O escritor escreve, no entanto, que “a um nível pessoal, [Trump] é, naturalmente, bastante repulsivo”, especialmente por “ter gozado com os deficientes” durante a sua campanha eleitoral no final de 2015.

Um dos seus mais recentes e polémicos romances foi ‘Submissão’, onde conta a vitória, em França nas eleições de 2022, de Mohammed Ben Abbes, candidato da chamada Fraternidade Muçulmana. Para Houellebecq, o Islão é a mais estúpida de todas as religiões.

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