MiFID II: adaptação à diretiva pode custar 2.500 milhões à banca europeia

A estimativa de custos associados ao cumprimento da nova diretiva Diretiva dos Mercados de Instrumentos Financeiros da União Europeia, que entra em vigor em 2018, foi feita pelo banco espanhol Cecabank.

O processo de digitalização e de adaptação à nova diretiva europeia Diretiva dos Mercados de Instrumentos Financeiros da União Europeia (MiFID II), que entra em vigor em janeiro, pode custar pelo menos 2.500 milhões de euros, segundo cálculos do Cecabank. Além da adaptação, os novos requisitos relativos a instrumentos financeiros também deverão aumentar os custos para as instituições financeiras da zona euro.

O diretor de serviços associativos, auditorias e recursos do Cecabank, Antonio Romero, explicou em entrevista ao jornal espanhol Expansíon que o valor poderá mesmo ser “mais elevado” já que o processo de digitalização das entidades será “muito importante” para cumprir a diretiva.

Manfred Nolte, parceiro da Management Solutions, acrescentou que o aumento dos custos associados aos novos requisitos para mercados financeiros deverá ter especial impacto nas empresas do setor que estão menos adaptadas ao ambiente digital. Segundo Nolte, os bancos terão de “criar valor diferencial” no novo cenário para “aumentar a rentabilidade”.

Por outro lado, o diretor de vendas na Europa do Web Financial Group, Fernando Pastor, acredita que o cumprimento da diretiva é “uma oportunidade” para o setor bancário implementar transformação digital, reduzir custos e aumentar a competitividade.

Relacionadas

Nova regulamentação vai obrigar bancos a abandonar análise, defende analista

A MiFID II determina que os clientes paguem as análises separadamente, enquanto agora estas notas são recebidas como parte de um pacote de serviços, o que poderá levar a uma reavaliação dos gastos com análise.

“O Google e Amazon podem competir com a banca tradicional”

Além do desafio das fintech, a banca tem pela frente um conjunto significativo de mudanças regulatórias, num curto espaço de tempo. Bancos terão de se adaptar rapidamente, dizem responsáveis da PwC.

CMVM responde à PwC rejeitando que a avalanche de regulação financeira possa ser chamada de “tsunami”

O responsável pela supervisão de intermediário financeiros diz estar ciente que a introdução da DMIF II acarreta a assunção de elevados custos, a alocação de recursos, esforço e tempo significativos para garantir o cumprimento num novo enquadramento regulamentar. “Estes custos, contudo, terão que ser encarados como um investimento”, disse Rui Pinto.

Malparado, novas regras e digital na agenda da banca

Os líderes do setor financeiro estiveram reunidos no Fórum Banca, promovido pelo Jornal Económico e pela PwC, para debater os desafios que a era digital coloca à banca tradicional e aos supervisores.
Recomendadas

Euribor volta a subir para novo máximo a seis meses e cai a três e a 12 meses

As taxas Euribor desceram hoje, pela primeira vez desde 09 de setembro, a três e a 12 meses, e voltaram a subir a seis meses, para um novo máximo desde janeiro de 2009.

BPI e FCT financiam 20 projetos e nove ideias para o desenvolvimento sustentável no Interior

A edição de 2022 do Programa Promove, uma iniciativa da Fundação “la Caixa”, em colaboração com o BPI e em parceria com a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), concedeu apoios a fundo perdido de perto de 3,6 milhões a um total de 20 projetos e nove ideias destinados a impulsionar o desenvolvimento sustentável de regiões do interior de Portugal.

Tribunal de Contas não afasta cenário de novas injeções de capital no Novobanco

O juiz conselheiro relator do relatório da auditoria do Tribunal de Contas à gestão do Novobanco, José Quelhas, referiu hoje que não está afastado o cenário de novas injeções de dinheiro público no ex-BES.
Comentários