Miguel Pinto Luz rejeita linha entre “direita boa” e “direita má” para ceder à pressão da esquerda

Num artigo de opinião publicado no jornal “Público”, o social-democrata (crítico da direção de Rui Rio) defende que o combate ao crescimento dos partidos populistas e extremistas deve ser feito com “ação política concreta”, impedindo-os de “dominar a conversa” e moldando-os e suavizando-os com coligações políticas.

Vice-presidente da Câmara Municipal de Cascais e ex-candidato à liderança do PSD, Miguel Pinto Luz | Foto de Cristina Bernardo

O vice-presidente da Câmara de Cascais e crítico da direção do PSD, Miguel Pinto Luz, rejeita que sejam traçadas linhas vermelhas entre a “direita boa” (composta pelo PSD e CDS-PP) e a “direita má” (Chega). E defende que o crescimento dos partidos populistas e extremistas deve ser combatido com “ação política concreta”, impedindo-os de “dominar a conversa” e moldando-os e suavizando-os com coligações políticas.

Num artigo de opinião publicado no jornal “Público”, Miguel Pinto Luz assume que desgosta-lhe “profundamente” que haja “cada vez mais e mais europeus a engrossar as fileiras eleitorais de partidos populistas e extremistas”, mas sublinha que “não é com artigos, proclamações e manifestos que se muda a realidade”, como têm vindo a fazer várias figuras da direita moderada e conservadora. “É com ação política concreta”, diz.

Para lidar com o crescimento das forças populistas e garantir “soluções de governação”, o social-democrata considera que o centro político tem duas opções: isolar as forças populistas e deixá-las fazer o seu caminho ou não deixar que os pequenos partidos, como é o caso do Chega, dominem a conversa e alargar as coligações políticas “acomodando, moldando e suavizando o crescimento dos populismos” e extremismos.

Miguel Pinto Luz considera que a solução está nesta segunda hipótese e dá como exemplo o que aconteceu na Áustria, em Inglaterra “com a assimilação dos ‘brexiters’ [apoiantes da saída do Reino Unido da União Europeia] pelo Partido Conservador” e em Portugal “com António Costa e a sua frente de esquerda”. Caso se adote a primeira solução, diz que os partidos populistas podem crescer, como aconteceu em Espanha, com o Vox.

O social-democrata indica, no entanto, que “a contaminação do espaço público em Portugal pela novilíngua da esquerda” impede o país de ter este debate. “Repare-se no seguinte: em 2015, António Costa foi, no mínimo, ‘brilhante’ por ter federado as esquerdas radicais; mas, em 2020, José Manuel Bolieiro e Rui Rio cruzaram todas as linhas vermelhas por alargarem a sua coligação de governo a um partido populista de direita”, afirma.

Mas a par com a “fervorosa reação da esquerda”, Miguel Pinto Luz diz que há “uma certa direita tenha alinhado no mesmo caldinho” e “reclama para si a autoridade moral que lhes permite traçar uma linha entre a direita boa e a direita má”, depois do acordo parlamentar nos Açores entre o PSD e o Chega.

“A direita boa é, evidentemente, aquela que há anos vive na bolha de um diletantismo profissional de uma certa elite de Lisboa. Por frequentar os mesmos espaços, os mesmos salões, as mesmas festas, as mesmas exposições, essa direita, ou por vergonha ou por falta de liberdade, tem tido uma crescente dificuldade em ir contra o politicamente correto”, acusa, acrescentando que essa direita tem cedido à “pressão para ter a aceitação da esquerda”.

E acrescenta: “Estes contos sobre a ‘direita boa’ e a ‘direita má’, só podem mesmo servir para embalar os portugueses neste longo sono de miséria e socialismo em que vivemos e com o qual a ‘direita boa’ está a ser conivente. Perante a falta de protagonismo interno, e com vontade de fragilizar quem hoje assume a liderança nos partidos de direita, o ataque mediático surge, nem que para isso se tenha de fazer uma aliança com o discurso da esquerda e contribuir para o ruído geral”.

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