Mike Pence rejeita comentários de Trump contra a Constituição dos EUA

O ex-vice-presidente norte-americano Mike Pence rejeitou hoje as afirmações de Donald Trump de que deveria “acabar-se” com a Constituição do país para que pudesse ser reintegrado na Presidência.

“Acho que todos que ocupam cargos públicos, todos que desejam servir ou voltar a servir, devem deixar claro que apoiam e defendem a Constituição dos Estados Unidos, o que acredito que, pela graça de Deus, pude fazer durante não apenas o meu mandato como vice-presidente, mas durante aqueles dias tumultuosos no final”, disse Pence, que foi ‘número dois’ de Trump, à estação de rádio WVOC.

Pence, que prepara terreno para lançar a sua própria corrida presidencial, comentava assim as declarações feitas no fim de semana pelo ex-chefe de Estado Donald Trump, que defendeu a anulação das eleições presidenciais de 2020 e “que se acabe” com a Constituição americana, ao exigir a sua reintegração na presidência.

Ao mencionar os “dias tumultuosos no final”, Pence referia-se ao ataque ao Capitólio levado a cabo por apoiantes de Donald Trump em 06 de janeiro de 2021, e que resultaram no desentendimento entre os dois políticos, outrora aliados.

Na manhã de sábado, Donald Trump recorreu à sua rede social,a Truth Social, para dizer que os “pais fundadores” da democracia americana “não quereriam, nem aprovariam, eleições falsas e fraudulentas”, voltando a alimentar teorias da conspiração sobre a sua derrota eleitoral nas últimas presidenciais e criticando as empresas tecnológicas por, alegadamente, estarem alinhadas com os Democratas.

“Uma fraude maciça deste tipo e magnitude permite a rescisão de todas as regras, regulamentos e artigos, mesmo aqueles encontrados na Constituição”, publicou o magnata, que já apresentou a candidatura à Presidência em 2024.

As declarações do Republicano motivaram reações dentro e fora do seu partido, caso da congressista Republicana Liz Cheney, que classificou Donald Trump como “inimigo da Constituição”.

“Nenhuma pessoa honesta pode agora negar que Trump é um inimigo da Constituição”, escreveu Cheney na rede social Twitter, no domingo.

Também o congressista Republicano Adam Kinzinger, que trabalhou com Cheney na comissão que investiga o ataque ao Capitólio, disse que o ex-chefe de Estado “odeia a Constituição” norte-americana.

“Nenhum conservador pode apoiá-lo legitimamente e nenhum apoiante seu pode ser chamado de conservador”, disse Kinzinger, um critico de Trump dentro do próprio partido.

“Discordo veementemente da declaração que Trump fez. (…) Certamente não é consistente com o juramento que todos nós fazemos”, disse, por sua vez, o congressista Republicano Mike Turner a um programa de televisão da CBS.

A posição do ex-presidente dos Estados Unidos motivou também uma reação da Casa Branca, com o porta-voz Andrew Bates a criticar as declarações como um “anátema sobre a alma da nação”, apelando para que Trump seja “universalmente condenado” por estas afirmações.

“Não se pode amar a América apenas quando se ganha. A Constituição dos Estados Unidos é um documento sacrossanto que há mais de 200 anos assegura que a liberdade e o Estado de direito prevalecem no nosso grande país. A Constituição une o povo americano, independentemente do partido, e os líderes eleitos fazem o juramento de a defender”, afirmou Bates.

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