Ministério da Educação está colocar a resolução dos problemas em “embargo”, diz líder da Fenprof

Marío Nogueira acusa o Ministro da Educação de não efetuar qualquer processo negocional para resolver os problemas dos professores. Greve geral desta sexta-feira que junta educadores de infância e professores do ensino básico e secundário.

Mário Nogueira voltou deixar várias críticas ao Ministério da Educação, sobre os problema que afetam os professores em Portugal e que levaram à marcação de uma greve geral dos educadores de infância e professores do ensino básico e secundário para esta sexta-feira, 11 de dezembro.

“O primeiro aspeto que levou os professores para a convocação da greve de hoje, é o facto de estarmos a assistir a uma situação de completo embargo do Ministério da Educação da resolução dos problemas. Há um ano e dois meses que este Ministro da Educação tomou posse e até agora não houve qualquer processo negocional, discussão sobre os problemas não existem”, referiu o secretário geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof) em declarações à imprensa, numa escola em Coimbra.

Para Mário Nogueira a falta de professora que tem afetado milhares de alunos sem aulas desde o início do ano letivo, “resulta de políticas que têm vindo ao longo dos anos a desvalorizar muito esta profissão e afastou os jovens, alguns até já professores, outros que poderiam vir a ser e que se afastam dos cursos de formação, precisamente porque se quebrou toda a atratividade de uma profissão”.

O líder da Fenprof relembrou que a falta de professores não é um problema de agora e que já se manifestou pelo menos de há dois anos a esta parte “e toda a gente já se apercebeu que ele existe, talvez não o Ministro da Educação, que até atribuiu essa denuncia de falta de professores em anos anteriores, a um aproveitamento da comunicação social para falar de um problema inexistente”.

Mário Nogueira assumiu que com a pandemia do coronavírus houve uma antecipação deste problema. “Desde setembro que há alunos que não têm aulas. Esta é uma situação que resulta da incapacidade do Ministério da Educação para encontrar uma solução para esta situação”, frisou.

O responsável voltou a alertar para falta de professores e as condições salariais em que alguns têm de viver fora das suas zonas de residência.

“Estamos a falar sobretudo em distritos como Setúbal, Lisboa ou Algarve onde a maior parte dos horários é de seis, oito e dez horas, com salários da ordem dos 300 a 400 euros, de professores que vivem no Norte do país. Não há ninguém que com esse salário vá viver para uma cidade onde nem sequer dá para pagar uma casa ou alugar um apartamento e não estamos a falar de jovens, mas sim pessoas já acima dos 40 anos e com família”, realçou.

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