Ministra não prevê falta de alimentos provocada pela seca ou pela guerra

“Criámos, com toda a cadeia alimentar, desde a produção até ao retalho, grupos de acompanhamento para que não haja quebra”, apontou a ministra da Agricultura e Alimentação, Maria do Céu Antunes.

A ministra da Agricultura e Alimentação, Maria do Céu Antunes, garantiu este sábado que “não há dados que apontem para a falta de alimentos” devido às situações de seca no país e de guerra na Ucrânia, e prometeu apoio para os sectores de produção.

Maria do Céu Antunes, que esteve nos concelhos da Póvoa de Varzim e Vila do Conde, distrito do Porto, a inaugurar num novo complexo de armazéns de aprestos da comunidade piscatória local, deixou uma mensagem de “tranquilidade”, lembrando que o Governo está monitorizar a situação.

“Criámos, com toda a cadeia alimentar, desde a produção até ao retalho, grupos de acompanhamento para que não haja quebra e que os produtos continuem a chegar à mesa dos nossos cidadãos. Não temos dados que nos apontem para uma falta de alimentos”, vincou a governante.

Ainda assim, e apesar de não acreditar numa escassez, a ministra disse ser “inevitável” uma subida generalizada dos preços que pode criar “constrangimentos, nomeadamente sociais”. “Estamos a sentir esse aumento de preços, causados pela inflação, pelos maiores custos com energia e pela subida dos fatores de produção, mas criámos um conjunto de medidas, para o setor da agricultura e da pesca, para minimizar essas subidas”, disse Maria do Céu Antunes.

A governante reconheceu as “incertezas” sobre o tempo que irá durar a guerra na Ucrânia e os impactos inerentes, mas prometeu que o Governo “está atento à situação e pronto para aplicar medidas”, o mesmo se passando com a situação de seca em Portugal.

“Temos um plano de ação a curto prazo, que está já a ser implementado, e um de médio/longo, para criar sistemas mais resilientes e sustentáveis no uso eficiente da água, que é determinante para podermos garantir as melhores condições para produção alimentar no país”, completou.

Nesta questão da alimentação, Maria do Céu Antunes lembrou a importância do setor da pesca, divulgando que a quantidade de capturas no país aumentou de 99 mil toneladas em 2020 para 124 mil em 2021, numa tendência que está ter seguimento este ano.

“Em 2021 o valor do pescado transacionado nas lotas e nos portos de Portugal continental atingiu os 270 milhões de euros, o que representa um aumento de 27% quando comprado com 2020, e de 17,5% em relação a 2019”, disse.

A ministra da Agricultura e Alimentação afirmou, ainda, que o setor das pescas nacional “tem o maior valor individual no pacote global de exportações de toda a fileira agroalimentar, representando mil milhões de euros anuais”.

“Temos de continuar a apoiar este setor, e já entre 2023 e 2027 haverá o Fundo Europeu do Assuntos Marítimos (FEAM) com uma dotação superior a 500 milhões de euros, para melhorarmos as condições de segurança dos nossos portos de pesca e fomentar a pesca sustentável e economicamente viável para as comunidades”, anunciou.

Precisamente sobre as condições de segurança dos pescadores, e sendo alertada pelos presidentes da Câmara da Póvoa de Varzim e Vila do Conde para a necessidade constante de intervenções nos portos locais, a ministra garantiu a ação do Governo.

“É absolutamente determinante. Temos trabalhado com a Docapesca nos planos para essas intervenções e estamos a fazer descentralizações de competências para que os próprios municípios possam trabalhar, em conjunto com o Governo, para servir o melhor possível as comunidades piscatórias e dar-lhes as melhores condições de segurança”, prometeu a ministra da Agricultura.

Maria do Céu Antunes marcou presença na inauguração de um novo complexo de armazéns de aprestos da comunidade piscatória da Póvoa de Varzim e Vila do Conde, distrito do Porto, promovida pela Associação Pró Maior Segurança dos Homens do Mar, e participou numa homenagem a José Festas, antigo presidente do organismo, que morreu em 2021.

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