Ministra salienta que NATO “não está a tentar expandir-se” e são países que decidem candidatar-se

A ministra da Defesa Nacional, Helena Carreiras, afirmou, esta sexta-feira, que a NATO “não está a tentar expandir-se” porque são os países que decidem candidatar-se, reforçando a necessidade de mostrar à sociedade civil a importância da Aliança Atlântica.

Helena Carreiras, Ministério da Defesa Nacional. Foto cedida

“Tem que se considerar que a NATO não está a tentar expandir-se. Às vezes há esta opinião que a NATO se está a expandir, eu gostava de sublinhar o facto de que têm que ser os países eles próprios a decidir se querem juntar-se, e não é demais sublinhar que este tem sido o caso”, salientou.

Helena Carreiras respondia a uma pergunta colocada por um jovem na Academia da Força Aérea, concelho de Sintra, local onde a governante presidia à sessão de encerramento do 25º `Portuguese Atlantic Youth Seminar` (PAYS), organizado pela Associação da Juventude Portuguesa do Atlântico (AJPA).

Momentos antes, no seu discurso, a ministra da Defesa abordou a questão do processo de adesão à NATO da Suécia e Finlândia, reforçando que Portugal está “totalmente empenhado na rápida ratificação das formalidades necessárias para garantir que Estocolmo e Helsínquia se juntam à Aliança”.

“Quando este processo estiver terminado, vamos ter uma maior e mais forte Aliança para lidar melhor com a ameaça russa, assim como outros desafios que afetam a segurança da área euro-atlântica”, considerou.

A governante salientou ainda que os últimos meses “demonstraram como choques externos podem servir como multiplicadores de força para alianças a longo prazo” no entanto, a NATO não pode tomar estes momentos como garantidos ou “ficar demasiado dependente da sua sucessão”.

“Em vez disso, temos que estar conscientes da importância de lembrar às nossas sociedades mais regularmente porque é que a NATO é importante e porque é que ainda tem, e vai continuar a ter, um papel vital na nossa segurança coletiva”, advogou.

Helena Carreiras vincou ainda que “o respeito pela lei internacional e a soberania dos estados tem que continuar a ser central na coexistência” da NATO como comunidade de nações.

“Podemos nem sempre partilhar as mesmas posições, e até ocasionalmente divergir nos nossos objetivos. Mas temos que ser guiados por uma estrutura previsível que providencie garantias mínimas de estabilidade. É por isso que a guerra na Ucrânia atualmente surge como o principal catalisador para tensões globais, depois de uma invasão ilegal e não provocada da Rússia, lançada a 24 de fevereiro”, disse.

Fazendo referência a algumas das críticas lançadas à NATO antes da guerra na Ucrânia — nomeadamente à opinião do presidente francês Emmanuel Macron, em 2019, sobre a Aliança estar em “morte cerebral” — Helena Carreiras apontou como exemplo que contraria essa ideia a Agenda NATO 2030, aprovada ainda em 2021, antes do início do conflito.

“Mas se dúvidas houvesse sobre a capacidade de resposta e rápida adaptação das estruturas e forças da NATO, a recente Cimeira em Madrid no final de junho ajudou a dissipá-las”, afirmou.

Para Helena Carreiras, “os sinais que saíram de Madrid foram muito claros quanto à firme coesão e unidade na Aliança Atlântica e no efeito transformativo” desejado pelos aliados para a próxima década, traduzido no novo Conceito Estratégico.

A Assembleia da República deverá ratificar a adesão da Finlândia e da Suécia à NATO em setembro, após as propostas de resolução do Governo sobre a matéria terem dado entrada no parlamento na semana passada.

Depois da invasão da Ucrânia pela Rússia, em 24 de fevereiro, a Suécia e a Finlândia — dois países tradicionalmente neutros — entregaram um pedido de adesão à NATO em 28 de maio.

Após a resistência inicial da Turquia, os chefes de Estado e de Governo da NATO, reunidos em cimeira em Madrid, convidaram oficialmente, em 29 de junho, a Suécia e a Finlândia a tornarem-se membros da Aliança.

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