Ministro britânico defende plano fiscal apesar de reação dos mercados

O ministro das Finanças do Reino Unido, Kwasi Kwarteng, defendeu o anunciado plano fiscal com grandes cortes de impostos, que provocou instabilidade nos mercados financeiros, dizendo que não havia outra escolha para combater a inflação.

laro que é uma intervenção cara, mas que escolha tínhamos? Imagine o custo para a economia do Reino Unido do desemprego em massa, um colapso no consumo e empresas que vão à falência”, defendeu o ministro das Finanças, num artigo de opinião publicado no The Telegraph, na noite de sexta-feira, citado pela AFP.

“Não fazer nada não era uma opção. O preço da inação teria sido muito maior do que o custo deste plano”, vincou o governante.

Em causa está o anúncio do Governo, em 23 de setembro, de uma série de medidas orçamentais que combinam apoios para baixar as faturas de energia e cortes de impostos direcionados aos mais ricos, cujo custo assustou os mercados financeiros.

Após o anúncio do chamado “mini-orçamento”, a libra esterlina atingiu um mínimo histórico, na segunda-feira, levando o Banco Central de Inglaterra a intervir com urgência para tentar acalmar a situação.

Também a agência de notação financeira Standard & Poor’s reviu em baixa a sua previsão para a dívida soberana britânica, de “estável” para “negativa” a perspetiva de manter a classificação “AA”.

“Não devemos perder de vista o nosso compromisso com a sustentabilidade das finanças públicas”, afirmou Kwasi Kwarteng, assegurando que vai apresentar, no dia 23 de novembro, “um plano credível de redução da dívida”, com “um compromisso de disciplina em matéria de despesas”.

A primeira-ministra, Liz Truss, admitiu que houve “alterações” na economia, mas descartou uma reversão do plano.

“Vai ser um inverno difícil, mas estou determinada a fazer o que for preciso para ajudar as famílias e a economia”, disse a governante, na sexta-feira.

As famílias britânicas estão a braços com uma inflação em quase 10% e receiam não conseguir aquecer as suas casas este inverno, ou pagar os créditos à habitação.

Apesar do anúncio de um congelamento dos tetos dos preços da energia, os preços duplicaram em apenas um ano e os cortes de impostos anunciados vão beneficiar em primeiro lugar os mais ricos.

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