Ministro diz que pressão sobre as urgência do Santa Maria está hoje “muito melhor”

O ministro da Saúde disse que a pressão sobre as urgências do Hospital Santa Maria, em Lisboa, está hoje “muito melhor” do que na terça-feira, mas admitiu que tem havido uma “procura mais elevada” das urgências hospitalares.

José Coelho/Lusa

Os doentes urgentes (pulseira amarela) tiveram de esperar na terça-feira de manhã uma média de 14 horas para serem atendidos no serviço de urgência do Hospital Santa Maria, em Lisboa, enquanto às 15:00 de hoje o tempo médio de espera era de cerca de duas horas.

Comentando aos jornalistas esta situação, à margem da apresentação do Plano Estratégico do Ministério da Saúde: Resposta Sazonal em Saúde – Inverno 2022-2023, o ministro afirmou: “Temos tido uma pressão aumentada em muitos outros hospitais, mas o sítio onde temos tido mais dificuldade é de facto o Hospital de Santa Maria. Mas a situação está bastante melhor do que ontem [terça-feira]”.

Manuel Pizarro reiterou o seu agradecimento aos profissionais deste hospital que têm permitido que “todos os doentes sejam atendidos em condições boas do ponto de vista da proteção da sua saúde, menos boas do ponto de vista do tempo de espera”.

Questionado se a greve dos enfermeiros pode ter tido impacto no maior tempo espera, considerou que a este nível não teve impacto porque os serviços mínimos abrangem os serviços de urgência.

Apesar de a pressão ser maior no Hospital Santa Maria, o ministro disse que tem havido uma procura mais elevada nas urgências, que disse não ser “inesperada” e que, por isso, as autoridades apresentaram o plano de contingência.

Mas, destacou, “no essencial, a marca destes primeiros dias de maior fluxo às urgências tem sido uma belíssima capacidade de resposta do essencial das unidades do Serviço Nacional de Saúde”.

Questionado se o plano de contingência vai resolver o problema das urgências, o ministro afirmou que não, explicando que a resolução desse problema exige “medidas estruturais e profundas” que vão ser tomadas de forma faseada ao longo do próximo ano.

Mas, assegurou, vai fazer com que “muito mais urgências do país continuem a funcionar em boas condições, como hoje acontece”, e vai permitir “mitigar a situação” numa ou outra urgência mais problemática.

Sobre as causas para uma maior pressão nos hospitais de Lisboa e Vale do Tejo, o ministro disse que “terá provavelmente muitas causas”, sendo uma delas “uma menor capacidade de resposta dos cuidados primários”.

Recordou que Lisboa e Vale do Tejo também é a região onde há mais dificuldade em resolver o problema dos doentes que estão nos hospitais por razões sociais.

Uma das medidas que já está em funcionamento e que o plano quer reforçar é procurar criar uma alternativa para as pessoas que precisam de uma consulta médica, mas não precisam de ir à urgência.

O ministro explicou que isso será sempre um ato de disponibilidade do próprio utente para prescindir desse recurso e o que o SNS irá procurar conseguir oferecer no próprio dia ou no dia seguinte uma consulta no seu centro de saúde.

“Idealmente vamos tentar dissuadir as pessoas de chegarem a ir ao hospital. Por isso é que nós apelamos a que o primeiro contacto seja feito pelo SNS 24”, explicou.

O ministro admitiu que Lisboa e Vale do Tejo vai ser seguramente a região onde esta prática vai ser mais difícil, mas adiantou que vão ser tomadas medidas suplementares, nomeadamente com um apelo aos profissionais que já está a ser feito e que permitiu que 36 centros de saúde estejam a funcionar com horário alargado.

Questionado se esta resposta pode implicar o recurso aos privados, Manuel Pizarro referiu que o plano tem níveis de ativação que podem justificar o recurso ao setor social e ao setor privado caso seja necessário para otimizar a resposta.

Relativamente às ambulâncias que ficam paradas horas à porta dos hospitais, o ministro disse que é uma realidade que “preocupa muito”, mas que está circunscrita a três ou quatro unidades hospitalares.

“O mais preocupante” é que esses meios de socorro ficam retidos no hospital numa fase em que podem estar a ser necessários para atender outros utentes.

“Os hospitais têm que rever os seus fluxos de doentes e criar um modelo de desenvolvimento de libertação das macas, de criação de novos espaços, e isso já está a ser já feito em alguns sítios”, defendeu.

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