Ministro do Ambiente acusa jornal: “procurou denegrir a minha imagem”

O ministro do Ambiente acusa o Correio da Manhã de “denegrir” a sua imagem através da notícia que dá conta de denúncias de corrupção, às quais nunca foi chamado ou respondeu. Duarte Cordeiro vai mais longe e garante não se deixar “intimidar” pela notícia que envolve ainda Fernando Medina e Joaquim Morão.

MIGUEL A. LOPES/LUSA

Uma notícia do “Correio da Manhã” dá conta de novas denúncias de suspeitas de corrupção na Câmara Municipal de Lisboa, envolvendo o nome de dois ministros do atual Governo, nomeadamente Fernando Medina e Duarte Cordeiro, que tutelam as Finanças e o Ambiente, respetivamente.

Após a publicação da notícia, que saiu na capa da publicação diária, o ministro do Ambiente acusa o jornal de procurar “denegrir a minha imagem dando cobertura a uma denúncia, da qual se desconhece o autor ou qualquer facto identificado, nem sequer a relevância que o Ministério Público atribui à mesma”. O responsável pela tutela do Ambiente garante ainda que não se deixará “intimidar com esta notícia”.

Duarte Cordeiro acusa o Correio da Manhã de ter sido “particularmente seletivo” na resposta que usou do ministro. “Por uma questão de transparência publico a minha resposta de forma integral”, escreve em comunicado.

Na resposta que enviou à publicação, e agora em comunicado para esclarecer a capa desta terça-feira, Duarte Cordeiro lembra que “qualquer pessoa pode fazer denúncias com o objetivo de denegrir ou procurar atingir a pessoa que denuncia sem que tenha qualquer evidência sobre o que denuncia. Muitas vezes conta com as obrigações de investigação do Ministério Público e com o papel dos jornalistas para dar credibilidade a essas denúncias.Parece-me evidente que há uma tentativa de me envolver neste tema”.

Com a denúncia que envolve o seu nome já no Ministério Público, o ministro do Ambiente aponta que o trabalho de Joaquim Morão na CML “não estava relacionado com as minhas áreas de competência delegada” mas que os seus caminhos se poderão ter cruzado “enquanto [Morão] desempenhou as funções para as quais foi contratado”.

O ministro admite ainda não se recordar de “ter tido alguma conversa com Joaquim Morão enquanto Presidente do PS da Federação da Área Urbana de Lisboa” e que desconhece a existência de uma investigação contra si e que “nunca fui chamado a prestar qualquer depoimento”.

À semelhança da resposta que enviou para a publicação, Duarte Cordeiro mantém disponibilidade “para qualquer questão ou dúvida sobre alguma ação que tenha ocorrido nos meus mandatos”.

“Não podemos tolerar um ambiente no qual se credibilizem denúncias feitas de forma profissional, com claro interesse político partidário, e que se desconhece se estão suportadas em algum tipo  de evidência. A não resposta clara e firme é um convite para a multiplicação deste tipo de comportamentos”, termina o ministro.

Recomendadas

TAP: Aprovada comissão de inquérito à “tutela política da gestão” proposta pelo BE

O objeto desta comissão será “avaliar o exercício da tutela política da gestão da TAP, SGPS, S.A. e da TAP, S.A., em particular no período entre 2020 e 2022, sob controlo público”.

JE Podcast: Ouça aqui as notícias mais importantes desta sexta-feira

Da economia à política, das empresas aos mercados, ouça aqui as principais notícias que marcam o dia informativo desta sexta-feira.

Bónus ilegal à CEO da TAP. PSD diz que “tem que haver consequências políticas”

“Temos que apurar realmente o que aconteceu e está a acontecer na TAP. Quando falamos na gestão da TAP é preciso perceber onde estava o acionista Estado? Como foi possível atirar 3,2 mil milhões de euros para a TAP?”, questionou-se o deputado social-democrata.
Comentários