Ministro do Ambiente sugere que aldeias junto ao Mondego podem ter que mudar de local devido às cheias

Em reação, o autarca de Montemor-o-Velho disse que a ideia de transferir aldeias para outra localização é uma “tarefa quase impossível”. Já a Quercus criticou a falta de manutenção adequada nos diques do Mondego, após duas destas estruturas terem colapsado com o mau tempo.

Ministro do Ambiente e da Ação Climática| Foto de Cristina Bernardo

O ministro do Ambiente sugeriu que algumas aldeias ribeirinhas no Baixo Mondego podem ter que mudar de localização no futuro devido ao risco de inundação naquela zona, como aconteceu na última semana com a passagem das tempestades Elsa e Fabien.

“Vamos ter de nos adaptar aos recursos que temos. As aldeias têm de saber que estão numa zona de risco. Paulatinamente, as aldeias vão ter que ir pensando em mudar de sítio porque não esperemos que esta capacidade que temos possa vir a crescer. Isso é o contrário da adaptação”, disse João Matos Fernandes em entrevista à RTP 2 na segunda-feira.

Em resposta, o autarca de Montemor-o-Velho disse que a ideia de transferir aldeias para outra localização é uma “tarefa quase impossível”.

“Na prática, é muito difícil tirar as pessoas das suas residências quanto mais mudar as pessoas do seu local habitual”, disse Emílio Torrão à RTP.

O ministro também defendeu o papel dos diques do Mondego por terem prevenido maiores inundações.
“Se nos aguentámos razoavelmente foi precisamente porque tivemos todo este trabalho de manutenção e ultrapassados os limites do projeto, houve ruturas em dois pontos, o que lamentamos mas que seriam inevitáveis”, afirmou.

Sobre o colapso de dois diques no Rio Mondego, a Quercus apontou que a manutenção realizada não foi suficiente. “Não ponho em dúvida que tenha havido manutenção, agora que a manutenção não foi suficiente, não foi. Porque uma obra que tem 40 anos não devia ceder desta maneira”, disse João Branco associação ambientalista à RTP.

O ministro do Ambiente já disse que os dois diques deverão estar completamente recuperados em dois meses.

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