Ministro iraquiano esteve no Irão para debater conjuntura política

Regime de Teerão parece apoiar a criação de um governo no quadro parlamentar atual, o que contra o que tem defendido o líder xiita Muqtada al-Sadr.

O ministro dos Negócios Estrangeiros do Iraque, Fuad Hussein, viajou para Teerão, capital do Irão, para reuniões de alto nível, pouco antes de o líder religioso Muqtada al-Sadr – um xiita que se foi afastando do regime iraniano – afirmar que se retirava da política, despoletando uma onda de violência que resultou em 30 mortos e centenas de feridos.

Ao longo dos dois dias de caos, as autoridades iranianas permaneceram relativamente silenciosas sobre o assunto, concentrando-se principalmente em garantir a segurança de milhares de peregrinos iranianos que viajam para o Iraque – tendo mesmo acabado por fechar as fronteiras.

Depois que passado o caos, o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão emitiu um comunicado (esta quarta-feira) em que agradeceu ao governo por ultrapassar os dois de violência “com paciência e tato”.

Nenhuma das partes envolvidas foi clara sobre o que constou do diálogo no que tem a ver com a crise política interna no Iraque. Oficialmente, Teerão e Bagdad discutiram as condições para a organização de mais uma ronda de negociações entre o Irão e a Arábia Saudita, que deveriam ter ligar em Bagdad e foram adiada devido à instabilidade no país anfitrião.

“Estabelecer a segurança e a estabilidade no Iraque só se consegue através do diálogo entre todas as fações políticas do país, com base na constituição e com o objetivo de chegar a um consenso sobre a formação de um novo governo”, disse escreveu o presidente do Irão nas redes sociais.

“As iniciativas e esforços do Iraque para melhorar a atmosfera de cooperação entre os países regionais sem intervenção estrangeira serão eficazes no fortalecimento da convergência regional”, disse Raisi.

Daqui fica claro um ataque à presença dos Estados Unidos e do Ocidente no Iraque e um conselho para que as forças políticas iraquianas encontrem uma solução para a crise política resultante das eleições de outubro do ano passado, quando o partido de al-Sadr foi o mais votado mas não conseguiu formar um governo sem recorrer a coligações.

Sendo assim, Teerão mantém-se fiel aos interesses dos xiitas opositores a al-Sadr (apesar de este líder religioso ser também xiita). Ou seja: o quadro do atual parlamento é necessário e suficiente para a formação de um governo estável e legítimo.

Para os comentadores mais moderados, o Irão – que partilha uma fronteira de 1.400 km com o Iraque, país com que esteve em guerra durante oito anos na década de 1980 – está apenas preocupado em assegurar a segurança com o seu vizinho e impedir que qualquer tensão ultrapasse as fronteiras.

Mas os menos moderados insistem que o Irão mantém uma perspetiva de reforçar a sua condição de potência regional – sendo que, nesse contexto, uma aliança estratégica em termos de objetivos comuns é essencial. Teerão também não estará interessado na constituição, no Iraque, de um governo que alie al-Sadr aos seus parceiros de ocasião: o líder curdo Masoud Barzani e o dirigente sunita Mohamed Al-Halbousi.

 

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