Ministro israelita dos Negócios Estrangeiros em visita histórica ao Egipto

Yair Lapid manteve um encontro com o presidente do país que se assumiu recentemente como um dos mais influentes junto do Hamas, que controla a Faixa de Gaza. O Encontro pode desbloquear décadas de desentendimentos.

Uma parte do mundo ficou surpresa quando, no final de mais um capítulo sangrento das relações entre Israel e a Faixa de Gaza – controlada pelo Hamas, próximo do Irão e cada vez mais desligado da Autoridade Palestiniana, que controla a Cisjordânia – o Egipto surgiu como a potência estrangeira com mais capacidade de influência entre os palestinianos acantonados junto à sua fronteira.

Na altura, em maio e abril deste ano, o governo egípcio conseguiu intervir de forma eficaz e acabou por ser considerado uma das fontes para eficazes de libertação da tensão que aqueles dias motivaram entre Israel e os palestinianos de Gaza. Nem o Qatar nem qualquer outro país da península arábica conseguiram ser tão eficazes como o Egipto. Nesse contexto, Israel considerou que uma visita de alto nível ao Cairo devia ser ponderada.

Foi isso mesmo que sucedeu esta quinta-feira, com a chegada ao Cairo do ministro dos Negócios Estrangeiros de Israel, Yair ÇLapid, em uma visita diplomática com o objetivo de fortalecer os laços e sustentar um ténue cessar-fogo entre Israel e os governantes do Hamas em Gaza.

Lapid reuniu com o presidente do Egipto, Abdel Fattah el-Sisi, e com o ministro dos Negócios Estrangeiros egípcio, Sameh Shoukry, para conversas que refletiram os laços emergentes entre o Egipto e o novo governo de Israel, segundo avançam jornais dos dois países envolvidos. O chefe da ‘inteligence’ do Egipto também participou nas reuniões.

O Egipto foi o primeiro país árabe a chegar a um acordo de paz com Israel e tem servido como mediador entre Israel e o Hamas – fazendo de algum modo esquecer as inúmeras vezes em que estiveram em guerra. Recorde-se que em 10 de maio teve início mais um período de forte violência e que, 11 dias passados, havia mais 253 palestinianos mortos, incluindo 66 crianças, mais de 1.900 feridos.

Desde então, o Egipto tem trabalhado discretamente para conseguir uma trégua de longo prazo. O Hamas exige que o bloqueio sobre Gaza imposto por Israel seja aliviado, enquanto Israel quer a libertação de dois prisioneiros israelitas e os restos mortais de dois soldados mortos pelo Hamas.

Citado por vários jornais, o ministério dos Negócios Estrangeiros de Israel disse que Lapid apresentou um plano para desenvolver a economia de Gaza em troca de garantias de paz e eventualmente de desarmamento do Hamas – o que será por certo bastante mais difícil. Lapid debateu ainda os esforços israelitas para fortalecer a Autoridade Palestiniana, que o Hamas considera um rival a mando de Israel.

No encontro entre os dois países, foi ainda debatida a questão d as preocupações de Israel sobre o programa nuclear do Irão e a vontade de Israel aumentar a cooperação com o Egipto nas áreas civis como a economia, energia, agricultura e comércio.

“O Egito é um parceiro estratégico especialmente importante para Israel”, disse Lapid. Que acrescentou que “o meu objetivo é fortalecer as nossas relações diplomáticas, de segurança e económicas com o Egipto.

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