Miopia e astigmatismo. Só pode!

I – Após uma merecida vitória no Estádio do Dragão frente ao F. C. Porto, o Sporting C. P. partiu para a jornada europeia com confiança e muita motivação. Na verdade, a exibição conseguida e a entrega extraordinária plena de esforço, dedicação e devoção por parte dos seus jogadores, mesmo reduzidos a dez unidades, fizeram […]

I – Após uma merecida vitória no Estádio do Dragão frente ao F. C. Porto, o Sporting C. P. partiu para a jornada europeia com confiança e muita motivação.
Na verdade, a exibição conseguida e a entrega extraordinária plena de esforço, dedicação e devoção por parte dos seus jogadores, mesmo reduzidos a dez unidades, fizeram com que a comunidade sportinguista se sentisse orgulhosa dos seus bravos.
Há que assinalar a recuperação de 3 -1 para 3 -3 numa atitude corajosa e muito bem liderada e gerida a partir do banco de suplentes por Marco Silva.
O pior veio no final. Já em período de descontos e após um golo validado em fora de jogo à equipa adversária, surge o golo da vitória num lance ridículo e que só pode ter sido consentido por um árbitro de baliza que sofre de miopia e astigmatismo (perturbação visual causada por defeitos na curvatura do cristalino ou da córnea). Só pode!

É verdade que esta derrota torna muito difícil o percurso da equipa na Champions League, mas mais importante é que a revolta sentida sirva para unir ainda mais o balneário e reforçar os índices de motivação dos jogadores.
Fora dos relvados há temas que estão a ferro e fogo mas que nada têm afetado as exibições mais recentes da equipa nem o seu rendimento, sendo o ambiente e a coesão do balneário bem visíveis. O que se espera agora, por experiências até já sentidas noutras épocas, é que o Sporting não venha a ser prejudicado no local onde o futebol tem o seu perfume e a magia que encanta os amantes desta modalidade.

A par disso, na minha opinião, é fundamental e importante que o Clube encontre a necessária e saudável paz institucional para que possa trilhar num ambiente de verdadeiro espírito solidário sportinguista o caminho do sucesso.
II – O futebol é hoje uma das maiores forças geradoras de negócio da economia. A influência no comportamento dos adeptos (consumidores) é muito grande. Gera paixões, dinâmica e impulsos. Se não se olhar para a organização futebol de forma profissional, com sentido de responsabilidade e apostando em quadros de elevado potencial, com formação qualificada e especializada, possuindo os skills necessários às funções, jamais se construirá um edifício coeso, seguro e gerador de riqueza.

A renovação dos seus quadros dirigentes é urgente. A injeção de sangue novo nas organizações que gerem o futebol profissional em Portugal é uma das frentes que deve ser seguida no sentido de o modernizar, por um lado, e de capacitar as próprias estruturas para os desafios do presente e do futuro, por outro.

Portugal tem dado sinais de possuir uma nova geração que não tem receio de aceitar desafios e arriscar. Prova disso são, por exemplo, as start up nacionais que surgem todos os anos e que dão provas no país e no estrangeiro. É exatamente desta atitude que precisa o futebol nacional. Gente nova, inovadora, com visão e apetência para lidar com a mudança e o risco, com capacidade para reformar e estruturar, olhando com respeito para o passado, atuando com firmeza no presente e antecipando os desafios do futuro.

 

a par e passo
Miguel Salema Garção
Gestor de Comunicação

 

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