Mobilidade urbana de passageiros em Portugal: antes, agora e depois

À medida que entramos no segundo verão de pandemia covid-19 e o nosso nível de (des)confiança sobre um estado de controlo da pandemia vai variando com os estados de (des)confinamento, surgem questões importantes sobre a forma como vivemos, trabalhamos e socializamos.

À medida que entramos no segundo verão de pandemia covid-19 e o nosso nível de (des)confiança sobre um estado de controlo da pandemia vai variando com os estados de (des)confinamento, surgem questões importantes sobre a forma como vivemos, trabalhamos e socializamos. Por esta razão lançámos um inquérito a residentes em Portugal para perceber o impacto esperado em hábitos e comportamentos da mobilidade.

 

Mobilidade para o local de trabalho
Com a pandemia covid-19 e a proliferação do teletrabalho, a necessidade de deslocações para o trabalho reduziu-se abruptamente. Apesar dos períodos de desconfinamento que tivemos, onde alguma parte das pessoas regressou ao regime presencial, nunca se atingiram níveis pré-pandémicos de deslocações para o trabalho e aparentemente é pouco expectável que isso aconteça.

Comparando o pré pandemia (anteriormente a março 2020) com o presente (abril 2021), todas as faixas etárias mais do que dobraram o peso do trabalho remoto. Perspetivando o pós pandemia (referência pós março 2022), aparentemente vamos assistir a um modelo híbrido de trabalho, com menos colaboradores sempre no escritório e mais a trabalhar alguns dias por semana remotamente. A geração z (atualmente nos 18-25 anos) é quem apresenta maior propensão para o trabalho remoto.

Espera-se no futuro que cerca de metade dos residentes em Portugal continue a usar viatura privada para se deslocar para o trabalho tal como antes da pandemia, havendo um significativo aumento na preferência pelo carro na geração z. O transporte público deverá ter uma significativa diminuição, principalmente entre os mais jovens também.
Diferenças geográficas são também esperadas. No pós-pandemia, os residentes dos maiores centros urbanos em Portugal esperam trabalhar remotamente o mesmo que antes da pandemia, enquanto os residentes em cidades de menor dimensão tendem a aumentar o peso do trabalho remoto.

 

Mobilidade para atividades de lazer
Desde março 2020 que a mobilidade para espaços de lazer interiores (e.g., restaurantes, museus, livrarias) não atinge os valores antes da pandemia. O valor mais próximo pré-pandemia foi em agosto 2021. Em termos de atividades exteriores (e.g., praias, jardins, parques) tem havido elevada oscilação. Em períodos de confinamento há uma redução abruta, enquanto em períodos de abertura e desconfinamento, como o verão de 2020 e o período atual, a mobilidade para zonas de lazer exterior tem aumentado.

 

Mobilidade para zonas residenciais e compras
Desde o início da pandemia covid-19, a mobilidade dentro das zonas residenciais aumentou bastante, atingindo um pico durante o primeiro confinamento (entre março e maio de 2020). Num contexto pós pandemia, é esperado um aumento da frequência de visitas a lojas da zona de residência, com uma manutenção da frequência a supermercados e grandes retalhistas.

A importância da compra online de produtos alimentares e de uso doméstico veio para ficar, enquanto no retalho não alimentar é globalmente esperado um regresso ao paradigma anterior. As gerações mais jovens (gen z e millennials, 18-40 anos) foram as que mais alteraram os seus padrões de consumo de produtos alimentares e de uso doméstico. Em média para todos os segmentos, a redução da frequência de viagens e concentração numa loja foram os fatores mais relevantes.

Os fluxos de mobilidade urbana de pessoas em Portugal variaram bastante conforme estivemos em confinamento total ou desconfinamento gradual. Para além do entendimento do grau de magnitude do antes para o agora, este inquérito trouxe contributos adicionais sobre o pós pandemia para a construção de uma visão própria sobre o futuro, que continuaremos a partilhar.

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