Moçambique. Número de refugiados continua a subir e ameaça sector do gás

A insurgência armada em Moçambique, aponta a Fitch Solutions na análise enviada aos investidores e a que a Lusa teve acesso, “vai continuar em elevados níveis de atividade por parte dos militantes islâmicos e vai continuar a ser uma das principais ameaças de segurança ao desenvolvimento do setor do gás natural liquefeito na província de Cabo Delgado”.

A consultora Fitch Solutions considerou hoje que a violência no norte de Moçambique vai fazer com que o número de refugiados internos continue a aumentar, mantendo a tensão social na região elevada e ameça desenvolvimento do gás.

“Acreditamos que o número de deslocados interno em Moçambique vai continuar a aumentar nos próximos trimestres, com a violência a continuar, levando a uma sobrecarga para as cidades vizinhas e mantendo elevados os riscos de tensões sociais e de instabilidade”, escrevem os analistas desta consultora detida pelos mesmos donos da agência de notação financeira Fitch Ratings.

Os dados mais recentes do gabinete das Nações Unidas para os Assuntos Humanitários apontam para uma significativa subida do número de pessoas deslocadas internamente, que passou de 172 mil em abril de 2020 para 945 mil em junho deste ano, em resultado da violência que tem afetado a região mais a norte do país, e onde estão as grandes reservas de gás que Moçambique encara como fundamentais para alicerçar o crescimento e o desenvolvimento económico.

A insurgência armada em Moçambique, aponta a Fitch Solutions na análise enviada aos investidores e a que a Lusa teve acesso, “vai continuar em elevados níveis de atividade por parte dos militantes islâmicos e vai continuar a ser uma das principais ameaças de segurança ao desenvolvimento do setor do gás natural liquefeito na província de Cabo Delgado”.

Na análise dos mais recentes desenvolvimentos no setor do gás natural em Moçambique, a Fitch Solutions escreve que a italiana Eni já começou a exportar gás do país, tendo levado a sua primeira carga em 13 de novembro, mas salienta que “as suas operações na plataforma flutuante ao largo da costa do país não foram afetadas pelas atividades dos militantes”.

A ExxonMobil, por seu turno, “ainda não atualizou o calendário para a Decisão Final de Investimento, o que reflete a fraca situação de segurança do país”, mas ainda assim a Fitch Solutions antevê que a petrolífera norte-americana decida no próximo ano.

“A incerteza sobre os calendários da ExxonMobil e da TotalEnergies é um risco descendente para as nossas perspetivas de crescimento de Moçambique a médio e longo prazo, já que o reinício dos trabalhos pode pesar no desenvolvimento do setor do gás natural”, concluem os analistas.

A província de Cabo Delgado enfrenta há cinco anos uma insurgência armada promovida por rebeldes, com alguns ataques reclamados pelo grupo extremista Estado Islâmico.

A insurgência levou a uma resposta militar desde há um ano com apoio do Ruanda e da SADC, libertando distritos junto aos projetos de gás, mas surgiram novas vagas de ataques a sul da região e na vizinha província de Nampula.

Em cinco anos, o conflito já fez um milhão de deslocados, de acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), e cerca de 4.000 mortes, segundo o projeto de registo de conflitos ACLED.

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