Monarquia absoluta

Rescaldo eleitoral e todo o país ao rubro sem saber muito bem qual o resultado efetivo da ida às urnas. Tirando os que em noite de eleições sempre cantam vitória, todos os demais ainda não conseguem muito bem dizer qual o resultado final. É caso para dizer que desta vez a política não igualou o […]


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Rescaldo eleitoral e todo o país ao rubro sem saber muito bem qual o resultado efetivo da ida às urnas. Tirando os que em noite de eleições sempre cantam vitória, todos os demais ainda não conseguem muito bem dizer qual o resultado final. É caso para dizer que desta vez a política não igualou o futebol já que o prognóstico está longe de ser feito embora o jogo tenha acabado. Em dúvida continua a existência de uma segunda mão!

Mas voltemos à expressão do povo pois que é disso que se trata em democracia. A coligação PAF ganhou. Ponto. É altamente discutível se, ao não se assumirem como protagonistas nos outdoors por esse país fora, Passos Coelho e Paulo Portas não terão, num golpe magistral de marketing, conseguido uma “descolagem” que lhes valeu a vitória.

Mas a política também se faz, e muito, de marketing. Aliás a política é essencialmente marketing. Também aqui houve um claro perdedor: o Partido Socialista que não soube fazer campanha nem tão pouco gerir os percalços altamente lesivos que defrontou nessa área. O amadorismo não se compadece com campanhas deste âmbito e isso devia ser algo que o PS devia saber há muito.

Voltemos pois aos resultados. Se o PAF ganhou e isso é inequívoco, tão pouco merece dúvida que o povo quis claramente alternativas à esquerda, demarcando-se do tão proclamado “arco da governação”. Há décadas que não tínhamos um parlamento com tantos partidos representados. Esse mandato popular foi olimpicamente ignorado pela primeira figura do Estado, numa clara violação de todos os princípios éticos e democráticos.

Como é possível que um Presidente da República que se diz representar TODOS os portugueses, apenas oiça o partido que conseguiu pouco mais que 30% dos votos? Que dizer então dos restantes 70%? De facto quando parece que Cavaco Silva não mais poderá surpreender, ei-lo que se supera!

Já tinha sido pouco digno o facto de não se querer associar às celebrações da implantação da República, alegando profunda reflexão. Como se aparecer como figura cimeira da República no dia da dita, implicasse uma qualquer afronta ao dia após eleições! Ninguém lhe pedia ou esperava um discurso de teor político, Deus e a República nos livrassem! Mas decidir não comparecer é afirmar inequivocamente que não está nem nunca esteve à altura da honra que os portugueses lhe conferiram.

Os mesmos portugueses que agora mais uma vez ignorou, não ouvindo os partidos eleitos para os representar. Acredito que o grande desgosto de Cavaco Silva foi não ter nascido numa monarquia. Absoluta está bem de ver!!!

Manuela Niza Ribeiro
Presidente do Sindicato dos Funcionários do SEF e professora universitária

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