Monte dei Paschi diz que BCE ainda não respondeu ao pedido de adiamento da recapitalização

“O conselho de administração do banco, reunido hoje, informa que não recebeu qualquer comunicação do BCE”, disse o banco italiano em comunicado depois da Reuters e Bloomberg terem anunciado o risco de bail-in iminente por o BCE ter recusado um adiamento do prazo para o aumento de capital.

O banco italiano Monte dei Paschi di Siena disse hoje que não recebeu “nenhuma comunicação” do Banco Central Europeu (BCE) com a suposta rejeição do pedido de prorrogação do prazo para captar o investimento privado que o banco precisa para se recapitalizar .

“O conselho de administração do banco, reunido hoje, informa que não recebeu qualquer comunicação do BCE na sequência do pedido para prorrogar os prazos da operação  (de aumento de capital) anteriormente comunicada ao mercado, a 7 de dezembro de 2016 “, disse o banco num comunicado.

Esta foi a resposta do banco italiano, que precisa de uma recapitalização de 5.000 milhões de euros, à notícia da Bloomberg e da Reuters, de que o BCE rejeitou o pedido de Itália para dar mais tempo ao Monte dei Paschi para se recapitalizar.

A confirmar-se esta recusa do BCE em dar mais tempo para o banco se recapitalizar através de encontrar capital privado, fica mais perto a possibilidade de um resgate (que pelas regras agora tem de ser através de bail-in) do terceiro maior banco de Itália já no fim de semana, avança a Reuters que cita fonte. Um resgate de um banco na actual legislação europeia implica risco de perdas para acionistas e obrigacionistas.

As acções do banco caíram hoje 10,55% na bolsa de Milão.

O banco que tem sede na Toscana, explicou que “prossegue com a sua actividade de reestruturação das contas e com as acções necessárias para completar a operação de recapitalização”. No passado dia 7 de dezembro o banco italiano (o terceiro maior do país) pediu ao BCE um alargamento do prazo para concluir a recapitalização com que se comprometeu de 5.000 milhões de euros. O prazo é até o fim deste mês.

O Monte dei Paschi justificou este pedido com a situação de instabilidade política que atravessa Itália, depois da demissão de Matteo Renzi como primeiro ministro, no passado dia 4 de dezembro, data em que se realizou o referendo à reformas constitucional.

O banco explicou ao Mecanismo Único de Supervisão que essa instabilidade pode prejudicar o banco e afastar investidores privados.

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