Montenegro começa em Viseu a cumprir promessa de passar uma semana em cada distrito

Numa conversa com a comunicação social de enquadramento da iniciativa, Luís Montenegro explicou que o périplo irá incluir deslocações à Madeira e aos Açores e também a algumas comunidades portuguesas na Europa e Fora da Europa, embora neste caso em moldes diferentes.

Cristina Bernardo

O presidente do PSD inicia na próxima segunda-feira em Viseu o programa “Sentir Portugal”, que o levará, ao longo dos próximos dois anos, a passar uma semana por mês em cada um dos distritos do país.

Numa conversa com a comunicação social de enquadramento da iniciativa, Luís Montenegro explicou que o périplo irá incluir deslocações à Madeira e aos Açores e também a algumas comunidades portuguesas na Europa e Fora da Europa, embora neste caso em moldes diferentes.

A promessa destas deslocações foi feita no discurso de encerramento do Congresso em que Montenegro foi confirmado como líder do PSD, em 01 de julho, e vai começar a ser concretizada a partir da próxima segunda-feira e até domingo no distrito de Viseu, numa iniciativa que o presidente do PSD considera inédita num líder partidário.

“O que me move é o desejo de restabelecer relações de proximidade, de intimidade com o país e com os eleitores e de compreender o contexto das preocupações, das causas das pessoas”, explicou.

No Congresso, Montenegro já tinha alertado que é o partido que tem de convencer as pessoas a voltarem a votar no PSD: “Não são os eleitores que estão errados”, disse, então.

Apesar de o PSD continuar a ser o maior partido da oposição, o novo líder alerta que a travessia fora do Governo nunca foi tão longa, com duas derrotas em legislativas abaixo dos 30% e derrotas em europeias e autárquicas.

“Se o PSD não tiver a capacidade de perceber que há um afastamento, se não formos à procura de alterar comportamentos, será difícil os resultados melhorarem significativamente. Eu não sou daqueles que espera que o poder me caia no colo, espero merecê-lo”, sublinhou.

Para que o contacto com a população seja ainda mais próximo, Montenegro optou por, na próxima semana, arrendar uma casa no centro de Viseu e espera conseguir ir às compras, ao mercado, cozinhar e até assistir a algum evento local – o programa assinala o domingo como “dia livre”.

O programa, que prevê presença nos 24 concelhos do distrito, nem sempre é exaustivo (varia entre duas e nove iniciativas diárias), de forma a permitir que, em alguns locais, o líder do PSD apenas passeie ou tome um café no centro das localidades.

No entanto, além de visitas mais descontraídas a feiras e mercados, não faltarão encontros institucionais, nomeadamente com o meio académico – vai assinalar a abertura do ano letivo na sexta-feira numa escola em Cinfães -, meio empresarial, uma visita ao Centro Hospitalar Tondela-Viseu, autarcas e até com os bispos das dioceses de Lamego e de Viseu.

Quanto à escolha de Viseu para arrancar esta volta pelo país, são várias as razões apontadas: a importância política do distrito para o PSD (já foi o ‘cavaquistão’, onde o partido tinha as maiores vitórias nacionais, mas nas últimas legislativas ficou atrás do PS), ser no centro do país, ter uma grande diversidade territorial e muitos autarcas sociais-democratas.

“Não é por acaso que o nosso coordenador autárquico estará na visita, aproveitaremos para fazer uma radiografia autárquica”, adiantou o líder do PSD.

No “Sentir Portugal em Viseu”, Luís Montenegro estará acompanhado pelo coordenador autárquico e presidente da distrital, Pedro Alves, e pelo secretário-geral adjunto Paulo Cavaleiro.

Em algumas iniciativas setoriais, vão estar presentes outros membros da direção que se ocupam das respetivas áreas.

Apesar de não ser essa a razão para a escolha de Viseu, o líder do PSD tem raízes maternas no distrito e a sua família tem ainda uma quinta na região, onde até já produziu vinho, e pela qual deverá passar na próxima semana, fora do programa oficial.

Em outubro, o modelo repetir-se-á noutro distrito – Montenegro não quis adiantar ainda qual será –, mas a data escolhida irá adaptar-se ao calendário orçamental, às jornadas parlamentares da bancada social-democrata, marcadas para 17 e 18 de outubro, bem como a um encontro do Partido Popular Europeu, no qual o líder do PSD participará.

“Não haverá uma semana tipo”, disse, salientando que esta iniciativa não irá colidir com a sua presença no parlamento, quando for necessária, mesmo não sendo deputado.

O presidente do PSD não irá marcar reuniões partidárias propositadamente para estas semanas em que estará fora de Lisboa, mas realizará as que já estavam previstas.

“Será uma semana normal. Por exemplo, na segunda-feira a reunião semanal da Comissão Permanente irá realizar-se em Nelas”, explicou, participando também numa Assembleia Distrital de Viseu e num encontro de Autarcas Social-Democratas (ASD).

Questionado se esta volta pelo país servirá também ganhar notoriedade, Luís Montenegro admitiu que pode ser uma boa oportunidade.

“Tenho consciência de que as pessoas precisam de me conhecer melhor”, admitiu.

Por outro lado, estas visitas poderão também dar origem a iniciativas legislativas e servir para “robustecer o programa eleitoral” que o líder do PSD quer ter pronto em 2024.

Na próxima semana, os temas preferenciais serão educação, ensino, saúde, mobilidade, agricultura e turismo, mas Montenegro promete não fugir dos temas de atualidade, num período muito marcado pelas medidas anti-inflação.

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