Montenegro diz que Costa leva exercício do poder demasiado longe no caso Endesa

Para o líder do PSD, “é muito insólito ver um primeiro-ministro querer intervir em matérias que não são da sua responsabilidade direta”, frisando que é necessário um esclarecimento sobre a evolução dos preços da eletricidade.

Cristina Bernardo

O líder do PSD, Luís Montenegro, defendeu esta terça-feira que o Governo levou o exercício do poder “demasiado longe” no despacho do primeiro-ministro sobre a Endesa, considerando que o executivo anda “nervoso” a lidar com situações inconvenientes.

“Ter um primeiro-ministro que individualiza uma determinada empresa e que faz com que seja o Governo, através do secretário de Estado da tutela, a validar pagamentos a fornecedores é levar o exercício do poder do Governo demasiado longe e confundir maioria absoluta com o poder absoluto que o PS pretende exercer em Portugal”, disse o líder social-democrata, que falava aos jornalistas, antes de visitar a feira Expofacic, em Cantanhede.

Num despacho assinado na segunda-feira e enviado hoje às redações, o primeiro-ministro, António Costa, determinou que os serviços do Estado não podem pagar faturas da Endesa sem validação prévia pelo secretário de Estado do Ambiente e da Energia, depois de o presidente da empresa ter admitido aumentos de 40% na eletricidade.

Para Luís Montenegro, “é muito insólito ver um primeiro-ministro querer intervir em matérias que não são da sua responsabilidade direta”, frisando que é necessário um esclarecimento sobre a evolução dos preços da eletricidade.

Segundo o presidente do PSD, o seu partido está a ultimar um requerimento ao Governo e à Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) nesse sentido.

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