Moody´s dá nota negativa à proposta de Bruxelas de baixar o capital da banca para cobrir “ativos verdes”

A Moody´s considera que estas políticas são favoráveis ​​ao meio ambiente, mas podem enfraquecer os bancos estabelecendo requisitos de capital que subestimam o risco real desses ativos verdes, razão pela qual a agência lhe dá uma classificação de crédito negativa.

A proposta da Comissão Europeia para reduzir os requisitos de capital para os ativos verdes dos bancos tem avaliação de risco de crédito negativa pela Moody´s.

O Parlamento Europeu (PE) propõe um ponderador de risco para ativos verdes que reduziria os peso do risco nesses investimentos “verdes” em 24% para investimentos abaixo de 1,5 milhões de euros e de 15% para investimentos acima de 1,5 milhões de euros. O montante do investimento elegível para o menor ponderador de risco exclui os montantes garantidos por colateral hipotecário.

Em geral, a proposta da CE visa impulsionar os investimentos com baixo teor de carbono para cumprir os objetivos do Acordo de Paris (que fez dois anos).

A Comissão exige investimentos adicionais de 180 mil milhões de euros nestes ativos por ano até 2030 e as autoridades europeias reconhecem que os esforços e medidas atuais são insuficientes para atender a estes requisitos de investimento.  A implementação do fator de suporte verde (green-supporting factor), um ponderador de risco mais baixo, criaria incentivos para investimentos em formas mais limpas de energia, segundo a Comissão.

Na terça-feira passada, o vice-presidente da Comissão Europeia (CE), Valdis Dombrovskis, anunciou uma série de propostas de financiamento sustentável que a CE está a estudar para promover investimentos verdes, incluindo requisitos de capital mais baixos para ativos verdes.

Ora a Moody´s considera que estas políticas são favoráveis ​​ao meio ambiente, mas podem enfraquecer os bancos estabelecendo requisitos de capital que subestimam o risco real desses ativos verdes, razão pela qual a agência lhe dá uma classificação de crédito negativa.

Para determinar os investimentos elegíveis, o PE propõe a adoção das definições da iniciativa Climate Bonds.

O fator de apoio a investimentos verdes, em termos de ponderador de riscos dos ativos verdes não seria acumulável com outros fatores de suporte de capital incluídos na regulamentação europeia, como fatores de apoio para pequenas e médias empresas ou infra-estruturas.

A Moody´s alerta para o facto de a introdução de um fator de suporte verde  ter implicações de crédito para os bancos afetados negativas, porque os requisitos de capital mais baixos provavelmente levariam os bancos a deter menos capital para exposições que apresentam características de risco semelhantes aos empréstimos ou títulos tradicionais.

Além disso, os investimentos verdes podem estar em tecnologias imaturas não suficientemente testadas ou que podem ser ficar rapidamente ultrapassadas e obsoletas.

Por outro lado há o risco de mudanças políticas e regulatórias – por exemplo, mudanças nos subsídios ou preços e impostos sobre o carbono – também afetarão a qualidade do ativo. Para os bancos, tais desafios se traduziriam num risco acrescido de perdas de crédito.

Pelo lado positivo, a introdução de um fator de suporte verde estimularia investimentos verdes e investimento em instrumentos de financiamento na Europa, incluindo empréstimos verdes e títulos verdes de instituições financeiras.

As novas etapas na potencial introdução do fator de suporte verde (ponderador de risco para investimento em ativos verdes) provavelmente serão anunciadas em março de 2018, quando a CE apresentar o seu plano de ação para promover o financiamento sustentável.

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