Moody’s não atualiza rating de Portugal

A agência de notação financeira manteve o rating do país no nível Baa2 (o segundo degrau de investimento de qualidade) e com perspetiva “estável”.

Andrew Kelly/Reuters

A Moody’s acaba de publicar uma nota onde inclui Portugal na lista de ratings que não vão ser alvo de revisão nesta sexta-feira, deixando assim de cumprir a expetativa do mercado de uma quarta subida consecutiva do “rating”.

Uma subida pela Moody’s do ‘rating’ de Portugal, na sexta-feira, seria a quarta de uma agência de notação financeira à dívida soberana portuguesa este ano, depois de três das principais empresas de notação terem já feito este ano uma segunda ronda de avaliações, seria hoje a vez de a Moody’s  se pronunciar sobre a dívida pública portuguesa.

A agência avalia atualmente o país no nível Baa2 (o segundo degrau de investimento de qualidade) e com perspetiva “estável”.

O mercado esperava uma subida do rating à semelhança do que fez a Fitch há umas semanas. Em declarações à Lusa Filipe Garcia, economista e presidente da IMF – Informação de Mercados Financeiros, esperava que o mais provável é que a Moody’s “alinhasse” com a S&P e com a Fitch e subisse o ‘rating’ para ‘Baa1’. O que acabou por não acontecer.

“As agências de ‘rating’ têm preferido olhar para a trajetória de descida do rácio de dívida, estabilidade política e comprometimento do Governo com políticas fiscais responsáveis do ponto de vista da dimensão do défice e da dívida. Além disso, o ‘spread’ dos títulos a 10 anos face à Alemanha diminuiu ligeiramente desde o último momento em que a Moody’s poderia ter-se manifestado sobre o ‘rating’ (maio)”,  referiu Filipe Garcia na antevisão à Lusa.

Para o analista, “a situação continua a merecer cuidados, sobretudo com a guerra, a previsível desaceleração económica e a subida dos juros em curso, bem como os pacotes de “luta contra a inflação” que geram mais incerteza orçamental.”

Já Filipe Silva, diretor de investimentos do Banco Carregosa, disse também à Lusa acreditar que a Moody’s deverá manter tanto o ‘rating’ como a perspetiva para a economia portuguesa, o que acabou mesmo por acontecer.

Também Nuno Mello, analista da XTB, em declarações à Lusa disse acreditat que a Moody’s irá manter o atual ‘rating’ de Portugal.

“A Moody’s deverá continuar a ter Portugal debaixo de olho e os fatores negativos continuam a ser os mesmos, ou seja, o aumento das temperaturas que leva à seca extrema, o risco de estagflação nos países mais vulneráveis, como é o caso de Portugal, a suscetibilidade de que os aumentos transitórios de preços se tornarem permanentes, a capacidade política limitada”, elenca, apontando ainda o aumento dos custos com os salários da função pública e o aumento do défice comercial de Portugal.

Já do lado positivo destaca que Portugal continue a crescer acima da média da União Europeia e a inflação se fixe ligeiramente abaixo da média europeia.

A Fitch decidiu subir em outubro o ‘rating’ de Portugal de “BBB” para “BBB+”, com perspetiva estável.
A melhoria pela Fitch foi a terceira do ‘rating’ da República portuguesa este ano, depois de a DBRS e de a Standard & Poor’s também já se terem pronunciado no mesmo sentido.

O ministro das Finanças afirmou, na altura, em declarações à Lusa, que a melhoria do ‘rating’ de Portugal pela Fitch é “importante” para o país e, em particular, para os bancos, empresas e famílias, ao permitir melhores condições de financiamento.

Os calendários das agências de ‘rating’ são, no entanto, meramente indicativos, podendo estas optar por não se pronunciarem nas datas previstas ou avançarem com uma avaliação não calendarizada.

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