Moody’s projeta 60% do bloco da moeda única em recessão este ano

Apesar do impacto positivo do PRR e do alívio das dificuldades logísticas globais, a agência de notação avisa que a inflação elevada e os juros em alta dificultam o cenário macro na Europa. Apesar das fragilidades, Portugal deve conseguir aliar um PIB superior ao de 2019, antes da Covid, vendo a dívida recuar para valores inferiores aos pré-pandémicos.

Mike Segar/Reuters

Cerca de 60% das economias da zona euro deverão estar em recessão em 2023, projeta a Moody’s, que sinaliza dificuldades acrescidas para Portugal, dada a sua elevada dependência do turismo e rácio de dívida ainda demasiado elevado.

As perspetivas económicas da agência de notação financeira para este ano não são animadoras, antevendo que quase dois terços do bloco da moeda única estejam em terreno de contração ou crescimento anémico durante pelo menos dois trimestres seguidos. Os principais motivos prendem-se com a subida das taxas de juro e a incerteza energética, explica a instituição.

“As medidas de apoio a nível nacional e da UE e o alívio das disrupções nas cadeias logísticas globais irão suavizar alguns destes efeitos, mas ainda assim projetamos 60% dos soberanos da zona euro em recessão em 2023, afirma Heiko Peters, vice-presidente de análise da Moody’s.

Segundo a instituição, a inflação elevada irá continuar a reduzir o rendimento disponível das famílias europeias, diminuindo a sua capacidade de consumo, ao passo que a crise energética aumenta a incerteza, o que afeta decisões de investimento e a confiança económica dos agentes.

Apesar das dificuldades acrescidas no sector do turismo, Portugal consegue ficar no grupo dos países que deve conseguir manter o crescimento no próximo ano, ficando acima do PIB pré-Covid ao mesmo tempo que consegue reduzir a sua dívida abaixo de níveis pré-pandémicos. No entanto, a grande exposição da economia nacional ao sector do turismo é um risco, visto que este atingiu já o pico da recuperação no verão passado, perspetivando-se um ano mais difícil com os custos da energia em alta e uma procura global enfraquecida.

O risco de estagflação é também superior nas economias mais periféricas, sobretudo do Sul, dada a maior exposição a efeitos inflacionários vindos do exterior e a menor folga orçamental para contrariar estes pesos.

Em sentido inverso, o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) desenhado pela Comissão irá ajudar a compensar parte do abrandamento económico esperado, funcionando como um efeito positivo no crescimento da zona euro.

Os riscos estendem-se ainda à vertente social, dado o peso da deterioração do cenário económico na vida das populações. Em casos de países com eleições este ano, o risco de perturbações ou agravamento da incerteza é ainda maior, mas a subida do custo de vida poderá ser suficiente para despoletar alguma tensão social no bloco euro, avisa a Moody’s.

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