Morna como património da Humanidade impõe mais responsabilidade de “preservação, salvaguarda e promoção”, diz primeiro-ministro de Cabo Verde

“O turismo passará a ter a marca mais indelével da expressão mais genuína deste povo crioulo, com mais de cinco séculos e meia de história, a morna”, afirmou Ulisses Correia e Silva.

Rodrigo Antunes / Lusa

O primeiro-ministro de Cabo Verde assegurou esta quarta-feira que a consagração da morna como Património Imaterial da Humanidade impõe a Cabo Verde maiores responsabilidades na preservação, salvaguarda, valorização e promoção da morna no país, junto da diáspora e no mundo.

Ulisses Correia e Silva fez estas considerações logo após a classificação pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), oficializada na cidade colombiana de Bogotá, pela secretária do Comité, Maria Lopez Sorzano, em cerimónia acompanhada através da Internet no Palácio do Governo.

Num ambiente festivo, entre felicitações, aplausos e abraços, o chefe do governo cabo-verdiano garantiu que Cabo Verde irá cumprir e honrar com a UNESCO e com o mundo o reconhecimento da morna como património de toda a Humanidade, tendo aproveitado a ocasião para agradecer a diretora-geral desta organização, “pelo empenho muito grande na colaboração para que esse momento fosse realidade”.

Ulisses Correia e Silva adiantou que o executivo já tem previsto no Orçamento do Estado para 2020 verbas para o inicio da implementação do plano de salvaguarda, aprovada no conjunto do dossiê desta candidatura e revelou que o Instituto do Património Cultural foi dotado de um novo estatuto que reforça as suas competências na preservação do património histórico e cultural cabo-verdiano.

O primeiro-ministro cabo-verdiano considerou “enorme e de capital intrínseco” este estatuto da morna junto da UNESCO e promete que Cabo Verde vai aproveitar bem esta distinção, tanto do ponto de pista de notoriedade do país, como da promoção da cultura e da economia, particularmente no turismo.

“O turismo passará, a partir de hoje, a ter a marca mais indelével da expressão mais genuína deste povo crioulo, com mais de cinco séculos e meia de história, a morna. Este é também uma grande oportunidade para o sector empresarial da música nacional”, explicitou, convicto de que novas carreiras, palcos e agendas se abrem com esta distinção.

Parafraseando o falecido compositor Manel de Novas, na música “Biografia dum Criol”, Ulisses Correia e Silva disse sentir-se feliz no dia de hoje, que “todos devem sentirem-se feliz de ter nascido cabo-verdiano” e agradeceu a todos os músicos, comunicação social e os países que apoiaram o processo desta candidatura para que a morna pudesse ser celebrada como a “alma da cabo-verdianidade”.

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