Morreu Almerindo Marques, ex-presidente e antigo gestor que fez alertas sobre a CGD 

Morreu o ex-administrador da Caixa Geral de Depósitos (CGD) e antigo presidente da RTP e Estradas de Portugal.

Lusa

O antigo gestor da CGD e ex-presidente da RTP morreu esta quarta-feira, 1 de dezembro. Tinha 81 anos. Avançou hoje a estação de televisão pública.

Enquanto esteve no banco público, o antigo gestor alertou, em 2002, o ex-governador do BdP Vitor Constâncio para o risco de créditos, em 2002. Ao Jornal Económico revelou em 2019 que Constâncio nada fez com os alertas e recusou auditoria. Revelou também na altura que avisos chegaram a Belém.

Antigo deputado pelo Partido Socialista, secretário de Estado da Administração Escolar no governo de Mário Soares e teve cargos dirigentes em vários bancos, além de administrador da Caixa Geral de Depósitos.

Em 2002, Almerindo Marques foi nomeado pelo governo de Durão Barroso para presidente da RTP.

Já em 2007, a convite do governo de José Sócrates, assumiu a presidência da Estradas de Portugal – de onde se demitiu quatro anos depois alegando incompatibilidades com a gestão do executivo.
Nos últimos anos, foi administrador da empresa de construção Opway.

Sampaio e Constâncio ignoraram alertas sobre a Caixa em 2002

Em fevereiro de 2019, o ex-gestor da CGD revelou  ao JE que o antigo governador do BdP Vitor Constâncio nada fez com alerta de risco de créditos, em 2002, e recusou auditoria. Revelou também na altura que avisos chegaram ao antigo Presidente da República, Jorge Sampaio.

Almerindo Marques revelou que Vítor Constâncio ignorou o alerta para falhas no controlo de risco de crédito na Caixa Geral de Depósitos que lhe foi transmitido por carta, em 2002, dirigida ao então governador do Banco de Portugal (BdP) por Almerindo Marques, ex-administrador do banco público que se demitiu da Caixa em desacordo com o presidente da CGD na época. Constâncio alegou que o supervisor “não tinha recursos para mandar fazer uma auditoria” e que “não era conveniente” determiná-la  com base numa denúncia de um membro da administração. Os alertas chegaram a Belém, tendo o ex-Presidente da República, Jorge Sampaio, confirmado, na altura, ao Jornal Económico uma reunião com Almerindo Marques centrada no tema da CGD e as reservas que lhe foram transmitidas quanto a operações de crédito. Mas que também caíram em saco roto.

Almerindo Marques confirmou também as críticas à política de gestão na liderança de António de Sousa, assegurando, em 2019, que foram transmitidas também ao presidente da CGD e à tutela. Os alertas incidiram sobre a forma como estava a ser concedido crédito, sem respeitar critérios rigorosos e com falhas no controlo de risco, bem como a existência de operações não ratificadas em conselho de administração. Estes avisos, disse, na altura, constam de três cartas: uma remetida à tutela do banco, outra ao supervisor e uma terceira ao então presidente da Caixa. Mais: cópias de todas as cartas foram enviadas ao mais alto magistrado, o Presidente da República.

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