Mortos do Bataclan. Dano colateral necessário?

A guerra permanecerá e a Europa continuará a pensar que deixou de estar na concha de refúgio


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O ex-Presidente Ramalho Eanes tem uma visão realista e séria sobre o problema do terrorismo. Este só pode ser resolvido nas origens e as origens envolvem muita negociação e muita política. Os países ocidentais preferem a capacidade de fogo e isso nada resolverá. A guerra permanecerá e a Europa continuará a pensar que deixou de estar na concha de refúgio. Eanes, citado pelo Expresso, afirmava esta semana que, na zona do Médio Oriente, há várias guerras e cada uma tem o seu propósito. Primeira conclusão fácil: a resposta tem de ser concertada e deve envolver a Europa, que não tem meios, nem política externa. E esta concertação deve, mais do que ações militares, permitir que acabem os financiamentos por debaixo da mesa.

Mas afinal a quem interessa esta guerra? Se se olhar para as potências locais, temos interesses da Turquia, de Israel, do Líbano, do Irão, do Iraque, da Arábia Saudita, para além da Síria. Mas, mais do que potências locais, o que trouxe todo o conflito na Síria e no norte de África? Desde logo, o petróleo barato vendido a 15 dólares o barril por milícias que, na Líbia, tomaram as refinarias de assalto. Depois, que indústria se está a proteger? A de armamento. E quem são os grandes exportadores? EUA, Rússia e França. Este último país foi alvo de um pavoroso atentado, mas tem sido dos que mais exportam armamento para a região e dos que mais insistem que tem de haver uma resposta militar. Acontece que, nos últimos meses, os ataques do ocidente na Síria têm tido resultados medíocres. O movimento do Daesh continua, a conquista de território é um dado adquirido e só foi beliscado pela intervenção assertiva dos russos que, em três semanas, fizeram o que ocidente não conseguiu em meses. Há alguma razão especial? Porventura não existe interesse em acabar com o grupo armado terrorista. Poderá ser necessário para outras operações na região. É uma especulação.

A verdade é que os conflitos derivam de decisões dos EUA e de países europeus que fizeram intervenções para estabelecer determinados interesses. O resultado da estratégia política materializa-se nos danos colaterais que os cidadãos inadvertidamente apoiam. O cenário vai continuar porque os grandes políticos ocidentais não querem ter a lucidez simples de Ramalho Eanes.

Por Vítor Norinha/OJE

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