Moscovici: “A mensagem que trouxe é que precisamos de ambição”

O comissário europeu dos Assuntos Económicos e Financeiros defendeu que o Eurogrupo e a Comissão Europeia vão trabalhar juntos no próximo ano com a reforma do euro e a Grécia como prioridades.

A reforma da zona euro e a saída da Grécia do programa de ajuda externa no verão são as duas prioridades da Comissão Europeia e do Eurogrupo para 2018 e foram os temas de conversa entre Mário Centeno e Pierre Moscovici. O comissário europeu para os Assuntos Económicos e Financeiros, Fiscalidade e União Aduaneira está em Portugal para alinhar ideias com o ministro das Finanças português, a quem pediu ambição no desempenho das funções de presidente do Eurogrupo.

“A mensagem que trouxe a Mário Centeno ontem é que precisamos de ambição. Precisamos de ambição para a União Económica e Monetária (UEM) e o governo português é ambicioso”, explicou Moscovici em conferência de imprensa, depois das reuniões esta quarta-feira com o ministro das Finanças, com o primeiro-ministro António Costa e com o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa.

“Ainda é cedo para fazer prognósticos”, afirmou o comissário europeu sobre o debate do pacote de medidas de reforma da zona euro, apresentado há duas semanas pela Comissão Europeia. “A discussão não vai ser fácil, mas vamos ter o resultado mais ambicioso que conseguirmos. Precisamos disso. Precisamos de uma abordagem ambiciosa”.

A criação de um Fundo Monetário Europeu (FME) e de um ministro da Economia e das Finanças da zona euro, em forma de teste e até 2019, estão entre as principais propostas da Comissão Europeia para a reforma do euro, que vão servir de base ao debate entre os Estados-membros. Em março e junho, os líderes europeus vão-se reunir em cimeira para discutir as reformas.

Moscovici sublinhou a importância do papel do líder do grupo informal de ministros das Finanças na reforma do euro, defendendo que “o presidente do Eurogrupo e a Comissão Europeia devem trabalhar de mãos dadas”. No entanto, frisou que “quem lidera o grupo é Mário Centeno e apenas ele sozinho”.

Sobre a economia portuguesa, o comissário europeu para os Assuntos Económicos e Financeiros sublinhou que Portugal virou a página da crise. “O crescimento é agora robusto”, afirmou, acrescentando que a projeção da Comissão é de um crescimento do PIB nacional de 2,6% este ano e 2,1% no próximo. “Este foi um ano de progressos impressionantes”, disse.

A eleição de Mário Centeno para a presidência do Eurogrupo, a saída de Portugal do Procedimento por Défice Excessivo e o upgrade do rating da República para grau de investimento por duas das três principais agências de notação financeira são, segundo Moscovici, reconhecimento desses progressos.

“Claro que ainda há desafios e que os esforços para conseguir estes feitos têm de se manter: para assegurar que tanto as dívidas públicas como privadas continuam a diminuir, que o crédito malparado continua a ser reduzido, que continua a ser dada atenção às melhorias das capacidades dos trabalhadores portugueses e ao apoio à inovação através da economia”, acrescentou.

[Notícia atualizada às 10h30]

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