Mota-Engil com lucros de 11,7 milhões a subirem 37% no primeiro semestre (com áudio)

As vendas e prestações de serviços atingiram os 1.354,4 milhões de euros, mais 19% do que o valor comparável no período homólogo de 2021.

Mario Proenca/Bloomberg

A Mota-Engil registou no primeiro semestre um lucro atribuído aos acionistas de 11,7 milhões de euros, segundo o comunicado difundido no site da CMVM na madrugada de quinta-feira.

As vendas e prestações de serviços atingiram os 1.354,4 milhões de euros, mais 19% do que o valor comparável no período homólogo de 2021.

O EBITDA somou 206,8 milhões de euros, o que representa uma subida anual de 14,4%.

“No primeiro semestre de 2022, embora impactado pelo crescente aumento de preços verificado em alguns fatores de produção, nomeadamente nos associados à energia e aos produtos derivados do petróleo, o EBITDA do Grupo atingiu os 207 milhões de euros, um aumento de 14% relativamente ao primeiro semestre de 2021 (181 milhões de euros), tendo aquele sido influenciado positivamente pelo desempenho da América Latina E&C – crescimento de 33%; de África  E&C – crescimento de 14% e do Ambiente, crescimento de 19%”. Deste modo, como consequência da evolução do EBITDA e do volume de negócios, a margem EBITDA (EBITDA / Volume de negócios) atingiu 15% no primeiro semestre, valor em linha com o apresentado historicamente pela Mota-Engil.

O grupo de construção relata no comunicado que, “no primeiro semestre de 2022, fruto, entre outros, da normalização da atividade pandémica e do arranque de alguns novos projetos, o volume de negócios do Grupo ascendeu a 1.354 milhões de euros, um aumento de cerca de 19% relativamente ao primeiro semestre de 2021 (1.138 milhões de euros), atingindo-se o valor mais alto de sempre nos primeiros 6 meses de um ano”.

Para esta performance, “destaca-se o desempenho das unidades de negócio de África – E&C, da América Latina – E&C e do Ambiente, que aumentaram o seu volume de negócios em cerca de 54%, 36% e 9%, respetivamente, fruto em parte da execução da vasta carteira de encomendas que detêm”.

A unidade de negócio de África – E&C foi a que mais contribuiu para o volume de negócios do Grupo no primeiro semestre, com um contributo de 33% (26% no primeiro semestre de 2021), seguido da América Latina – E&C com 32% (28% no primeiro semestre de 2021) e do Ambiente com 16% (18% no primeiro semestre de 2021).

Por outro lado, no primeiro semestre de 2022, o negócio de Engenharia e Construção (E&C) representou 83% do volume de negócios do Grupo (77% no primeiro semestre de 2021).

A Mota-Engil reporta que no primeiro semestre, o negócio de E&C contribuiu em 65% para o EBITDA do Grupo (68% no primeiro semestre de 2021).

Já no que respeita ao EBIT, este ascendeu no primeiro semestre a 82 milhões de euros (68 milhões de euros no primeiro semestre de 2021), um aumento de 21%, “tendo o mesmo sido positivamente influenciado pelo aumento ocorrido no EBITDA e negativamente influenciado pelo aumento das amortizações, em parte justificado pelo aumento do investimento e pelas reavaliações dos equipamentos pesados afetos ao negócio de E&C efetuadas nos últimos doze meses”.

Nas contas de junho, a construtora relata ainda que o investimento do Grupo ascendeu a cerca de 108 milhões de euros (98 milhões no primeiro semestre de 2021), dos quais se destacam cerca de 28 milhões afetos a contratos de médio e longo prazo, nomeadamente no Mali, em Moçambique e na Guiné-Conacri, cerca de 22 milhões de euros afetos à atividade de E&C no México e cerca de 24 milhões de euros afetos à execução do plano de investimentos definido para as empresas concessionárias da EGF. A EGF é uma empresa europeia de referência no sector ambiental e líder no tratamento e valorização de resíduos em Portugal e que está integrada no Grupo Mota-Engil.

No primeiro semestre, há que destacar que os 55 milhões de euros de investimento foram canalizados para contratos de médio e longo prazo e para investimentos de expansão; que a unidade de negócio de África – E&C contribuiu com cerca de 38% para o investimento total do Grupo, a maioria do qual afeto a contratos de engenharia industrial e que a unidade de negócio da América Latina – E&C contribuiu com cerca de 24% para o investimento total do Grupo, a maioria do qual afeto ao projeto do Trem Maya no México.

A Mota-Engil deu ainda conta da sua dívida. Em 30 de junho, a dívida líquida atingiu os 1.117 milhões de euros, uma diminuição de cerca de 9 milhões face a 31 de dezembro de 2021, justificada, essencialmente, por uma gestão controlada do investimento e do fundo de maneio no semestre.

“Em 30 de junho de 2022, a dívida líquida adicionada das operações de factoring e de gestão de pagamentos a fornecedores, bem como das operações de locação, ascendia a 1.775 milhões de euros, uma diminuição de 24 milhões face a 31 de dezembro de 2021”, refere o relatório.

Como resultado da evolução da dívida e do desempenho operacional do semestre, “o rácio que compara a dívida líquida com o EBITDA dos últimos 12 meses atingiu 2,6x (2,7x em 31 de dezembro de 2021)”.

A dívida bruta em 30 de junho ascendia a 1.840 milhões de euros e apresentava uma maturidade média de 2,1 anos, 80% encontrava-se denominada em euros e 45% exposta a taxas variáveis.

Por outro lado, em 30 de junho, o custo médio da dívida bruta adicionada das operações de factoring e de gestão de pagamentos a fornecedores, bem como das operações de locação, ascendia a 5,5% (5,1% em 31 de dezembro de 2021). Adicionalmente, em 30 de junho, o Grupo Mota-Engil “mantinha linhas de crédito contratadas e não utilizadas de cerca de 314 milhões de euros, traduzindo-se num montante total de liquidez de 1.037 milhões de euros, correspondendo a cerca de 56% da dívida bruta”.

Por último, no semestre findo em 30 de junho de 2022, o Grupo reforçou os seus capitais próprios em cerca de 150 milhões de euros, o que resultou num nível de autonomia financeira (total do capital próprio / total do ativo) acima dos 10%.

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