Mota-Engil dispara 7% mas não segura PSI. Europa fecha negativa

As principais praças europeias fecharam em território negativo num dia em que a confiança empresarial alemã melhorou em janeiro, sustentada pela evolução positiva das expectativas para os próximos meses. Lisboa não foi exceção. A liderar as perdas estiveram a Greenvolt, o BCP, a REN e a Galp.

Daniel Munoz/Reuters

Há uma cotada a disparar de forma invulgar, trata-se da Mota-Engil que sobe +7,09% para 1,510 euros, valor que representa um máximo de dois anos. Mas nem isso segurou o PSI que fechou a cair -0,68% para 5.898,56 pontos, em linha com o mood da Europa.

A Mota-Engil poderá estar a ser impulsionada ainda pelo research do CaixaBank que emitiu uma nota em que sobe o range do price-target de 1,65 euros-4,95 euros para 2,53 euros-5,26 euros por ação. A análise tem o título de “forte crescimento à frente”. Os analistas do banco não esquecem a mudança de liderança da Mota-Engil. Carlos Mota Santos (anteriormente vice-CEO) será nomeado o novo Chairman e CEO da Mota-Engil.

Há 11 títulos que fecharam em queda no PSI. Destacam-se a GreenVolt que caiu -2,69% para 7,96 euros; a REN que desceu -1,72% para 2,570 euros; o BCP que perdeu -1,88% para 0,1879 euros; a Altri que deslizou -1,61% para 4,64 euros; e os CTT que fecharam a cair -1,27% para 3,50 euros.

A Corticeira Amorim manteve-se inalterada.

Na Europa o terreno negativo dominou. O EuroStoxx 50 fechou a perder -0,12% para 4.148,11 pontos e o Stoxx 600 caiu 0,29%.

Nas praças o FTSE 100 caiu 0,16% para 7.744,9 pontos; o CAC 40 recua 0,09% para 7.043,9 pontos; o DAX fechou a recuar 0,08% para 15.081,6 pontos; o FTSE MIB caiu 0,03% para 25.875,3 pontos; e o IBEX perdeu 0,11% para 8.957,5 pontos.

A tecnologia condicionou as bolsas europeias que encerraram em território negativo, “penalizadas pelo sentimento em Wall Street, após os receios trazidos pelo Outlook da Microsoft, para o setor tecnológico, e da Texas Instruments e da ASML, para a indústria de semicondutores”, refere o analista da MTrader, Ramiro Loureiro.

“Em termos macroeconómicos, a indicação de que a confiança empresarial alemã melhorou em janeiro, sustentada pela evolução positiva das expectativas para os próximos meses, pareceu insuficiente para animar os investidores”, acrescenta a análise do analista do BCP.

O analista destaca que “para a recuperação dos preços do petróleo, depois da divulgação de que os Estados Unidos tiveram uma subida inferior ao esperado nos seus inventários de crude”.

“Importante referir que hoje, após o fecho da sessão norte-americana, os investidores estarão atentos às várias apresentações de contas empresariais, entre as quais da Tesla e da IBM, que poderão influenciar o sentimento na próxima sessão”, refere a MTrader.

Hoje nos Estados Unidos a Boeing anunciou hoje que no exercício de 2022 aumentou os prejuízos em 17,44% para 4.935 milhões de dólares (cerca de 4.531 milhões de euros).

O Governo alemão anunciou hoje que prevê um crescimento económico de 0,2% em 2023, apesar de um abrandamento geral devido à crise energética e da inversão da tendência das taxas de juro.

O Ifo reportou que a confiança empresarial alemã melhorou em janeiro, sustentada pela evolução positiva das expectativas para os próximos meses.

O euro sobe 0,12% para 1,090 dólares.

No mercado das commodities o petróleo Brent avança 0,42% para 86,49 dólares.

A dívida soberana alemã sobe 0,19 pontos base para 2,15%. Já a dívida portuguesa a 10 anos agrava 1,23 pontos base para 3,02% e a dívida espanhola avança 1,06 pontos base para 3,11%. Itália, por sua vez, vê os juros agravarem 3,33 pontos base para 3,94% e a Grécia, ao contrário, tem os juros em queda de 2,26 pontos base para 4,21%.

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