Mota-Engil vai produzir eletricidade no México

A Mota-Engil vai entrar no mercado liberalizado de geração de eletricidade no México. A portuguesa atuará através da Sociedad Generadora Fénix (SG Fenix), na qual detém 51%. Os restantes 49% serão detidos pelo Sindicado Mexicanos de Eletricistas (SME). Os analistas, surpreendidos com a entrada num novo negócio, anunciado sexta-feira, aprovam a iniciativa e aguardam por […]


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A Mota-Engil vai entrar no mercado liberalizado de geração de eletricidade no México. A portuguesa atuará através da Sociedad Generadora Fénix (SG Fenix), na qual detém 51%. Os restantes 49% serão detidos pelo Sindicado Mexicanos de Eletricistas (SME).

Os analistas, surpreendidos com a entrada num novo negócio, anunciado sexta-feira, aprovam a iniciativa e aguardam por mais detalhes sobre o negócio.

A Mota-Engil terá agora a oportunidade de construir, manter e explorar infraestruturas de geração de eletricidade no México, durante 30 anos. De acordo com a informação disponível até ao momento, a SG Fenix não tem ativos nem passivo fixos, para além da concessão para produzir energia e manter cinco centrais hidroelétricas e mini-hídricas com uma capacidade inicial total de cerca de 300 MW. Segundo os analistas estas infraestruturas permitem que se aumente a geração para cerca de 400 MW. Além disso, a SG Fenix tem a opção de reativar uma central térmica desativada com capacidade de geração de 1700 MW, quando transformada numa central de ciclo combinado (CCTG). Caso este projeto avance, a capacidade de geração da joint venture da Mota-Engil no México ascenderá a cerca de 2000 MW. Este negócio só avançará se se chegar a um acordo Power Purchasing Agreement (PPA) para vender a eletricidade produzida, atualmente em curso, avançam os analistas.

A construtora portuguesa diz que não será necessário um grande investimento na nova joint venture segundo os artigos publicados na imprensa mexicana e citados pelos analistas.

Os analistas ainda aguardam informação mais detalhada, nomeadamente sobre o real investimento da construtora neste negócio e sobre as condições para que possa ou não avançar o negócio da central de turbina a gás de ciclo combinado (CCGT) que permitirá gerar 1700 MW adicionais. Apesar de considerarem que o risco da Mota-Engil poderá ter aumentado também consideram que o negócio é marginal podendo ter um impacto reduzido nas contas da empresa.

 

Santander Totta antecipa boa receção pelo mercado

O Santander Totta espera que a criação da SG Fenix seja bem recebida pelo mercado e pela comunidade de analistas. “Embora ainda existam algumas preocupações estratégicas, consideramos [este negócio] uma oportunidade”, referem os analistas do Santander. O negócio per se “acresce 41 cêntimos por ação à nossa avaliação”, o que representa um aumento de cerca de 10%. O negócio “não é no entanto livre de risco, uma vez que a empresa está a entrar num setor onde tem experiência limitada e terá que manter uma parceria de longo prazo com os sindicatos, o que poderá significar possíveis conflitos de interesses”, referem os analistas do Santander Totta.

O banco atualizou as estimativas para contar com a integração da SG Fenix e a venda e desconsolidação do negócio de logística e portos. “Apesar da estimativa de quebra de 1% no EBITDA para 2016, aumentámos o nosso EPS para 24%”. O Santander ainda não incluiu a aquisição do MEAFR no modelo, uma vez que a oferta ainda está pendente. “Aumentámos também as taxas de desconto que utilizamos na LatAm e em África, devido ao aumento do risco nos mercados emergentes.”

O Santander Totta tem um preço-alvo de 4 € e uma recomendação “Buy” sobre os títulos da Mota-Engil.

 

Haitong Research. Um negócio positivo
A Haitong Research considera que este negócio é bastante positivo para a Mota-Engil. “Sem qualquer investimento significativo, a Mota-Engil terá acesso a 51% de uma concessão de longo prazo, que poderá gerar cerca de 46 milhões de euros em EBITDA já em 2016”. “Duvidamos que os requisitos de capital sejam tão reduzidos como a empresa afirma e também consideramos que a maior exposição à LatAm como um potencial fator de risco”, salientam os analistas.  Apesar deste enquadramento, “consideramos que este negócio valoriza a Mota-Engil”.

O Net Present Value deste projeto para a Mota-Engil é de entre 70 milhões e 130 milhões de euros com uma taxa de desconto de 10%, segundo os novos cálculos da Haitong Research.

A margem de EBITDA deverá ser de 70%, assumindo a continuação da desvalorização do peso mexicano.

Caso a CCGT avance, poderá representar um investimento de 850 milhões de dólares. “Precisamos saber mais detalhes do PPA para avaliar a operação”, frisam os analistas. A Mota-Engil referiu que “os investimentos não seriam significativos e que a Fenix tem um bom cash flow“. No entanto, “temos dúvidas de que a Mota possa ter acesso a 51% de 2000 MW de capacidade de geração de eletricidade no México, sem um investimento significativo”, concluem.

A Haitong Research apresenta um preço-alvo de 2,188 € e tem um recomendação neutral para a Mota-Engil.

 

BPI. O mercado fica tranquilo. Mota-Engil não tem de injetar capital

O BPI salienta que “não há nenhum compromisso de injeção de capital por parte da Mota-Engil”, o que poderá “deixar o mercado tranquilo”. O portefólio atual da SG Fénix não obriga a qualquer contribuição de capital e a empresa diz que não há passivos ou requisitos financeiros para além da operação em si. A opção de crescimento para os 2000 MW poderá utilizar inicialmente as receitas do portefólio atual. O BPI assinala ainda que a possibilidade da reativação da CCGT deverá representar um investimento de entre 850 milhões e mil milhões de euros para além do capex proveniente das hidro e mini-hidroelétricas.

Para o BPI, o negócio é interessante, mas falta conhecer alguma informação sobre o mercado e o negócio aumenta o risco do exercício fiscal. De acordo com o BPI com base no press release da Mota-Engil e em dados de mercado, “o portefólio hidroelétrico poderá gerar cerca de 90 milhões de euros ou cerca de 4% dos resultados esperados para a Mota-Engil no ano fiscal de 2015, cerca de 56 milhões de euros de EBITDA e uma margem de 60%.” Para o ano fiscal seguinte, as expetativas apontam para uma contribuição de 26 milhões de euros, pouco mais de 30% das previsões para 2016.

O preço-alvo apontado pelo BPI para a Mota-Engil é de 3,10 €. A recomendação é “buy”.

 

Grupo CIMD. O impacto do negócio é reduzido

Segundo a CIMD, a capacidade prevista para este negócio é cerca de 3% da capacidade instalada do México em 2015. Além disso, assinalam os analistas, os preços de geração no México estão sob uma grande pressão de redução. A CIMD refere que de acordo com a Comissão Federal de Eletricidade, os preços industriais e residenciais caíram entre 21% e 30% e 2% e 7,8%, respetivamente entre setembro de 2014 e setembro de 2015.

É importante referir que um dos objetivos da liberalização é reduzir os preços da energia elétrica industrial “para diminuir a diferença de preços entre o México e os EUA (cerca de 50%, antes dos recentes ajustes de preços) ”.

Ainda assim, o impacto da operação na avaliação da CIMD é de cerca de 50 cêntimos, assumindo a capacidade de produção mais reduzida (288 MW), os preços médios da energia em 2014, a deflação de 1% prevista para os próximos cinco anos, a inflação de 3% depois, os custos de gestão e manutenção, 2,5% do investimento inicial. Em 2015, o contributo EBIT para os valores consolidados deverá rondar os 28 milhões de euros.

O Grupo CIMD tem um preço-alvo de 3,10 € e uma recomendação Buy para a Mota-Engil.

 

Caixa BI. “Ficámos sureprendidos”

O anúncio surpreendeu a Caixa BI, “não apenas por representar o início de uma nova linha de negócio para a empresa, mas também pelos favoráveis termos de negócio revelados: a Mota-Engil não precisará disponibilizar qualquer montante significativo para a criação da nova empresa”. De acordo com a informação citada pela Caixa BI, as concessões disponíveis contribuem “para a existência de uma fonte estável de geração de cash passível de ser alavancada de forma a facilitar os planos de expansão”.

De acordo com a Caixa BI, as centrais estão bem localizadas, em especial a central térmica desativada maior dimensão; existem expectativas positivas quanto à evolução futura da procura de eletricidade no México; se desenvolvido totalmente, a escala do projeto anunciado é significativa e criará um dos principais produtores de eletricidade no país e a empresa vai operar num mercado de geração elétrica recentemente liberalizado.

O sucesso do projeto depende “da negociação bem-sucedida de PPA com as autoridades mexicanas”, que poderão permitir que a central esteja a funcionar no início de 2018, avança a Caixa BI.

Impõe-se ter em consideração que “a Mota-Engil terá de rapidamente adquirir novas competências no negócio de geração elétrica, enquanto compete com grandes produtores elétricos e procura atingir o nível adequado de entendimento mútuo com o parceiro local: um sindicato de trabalhadores do setor elétrico” ressalvam.

A Mota-Engil tem um preço-alvo de 3,00 € e uma recomendação de Buy, de acordo com a Caixa BI.

Por Mafalda Simões Monteiro/OJE

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