Mota Pinto recusa qualquer possibilidade de governo do “bloco central”

Presidente da mesa do congresso do PSD defende diálogo com todos os partidos, diz que CDS-PP e PS estão mais próximo e só exclui o Chega, “enquanto não se moderar”.

O presidente da mesa do congresso do PSD, Paulo Mota Pinto, considera que um governo em coligação com o PS está “fora de questão”, mas não exclui o diálogo nem a possibilidade de acordos com qualquer força política.

Em entrevista ao jornal semanário “Nascer do Sol”, Mota Pinto considera que um governo de “bloco central” só faz sentido numa situação excecional, que não se verifica.

“O bloco central, no seu sentido verdadeiro, que é uma coligação entre o PSD e o PS, está fora de questão. É uma solução excecional, de último recurso, que só deve ser utilizada em hipóteses de salvação nacional”, afirmou.

Acrescentou que, no entanto, “o PSD tem uma estratégia de dialogar com todas as forças políticas, porque entendo que essa é que corresponde à melhor interpretação do interesse nacional. Portanto, o PSD não exclui, nem pode excluir à partida, a possibilidade de acordos com quaisquer forças políticas que sirvam o interesse nacional”.

“Acordos pontuais, evidentemente”, clarificou.

Mota Pinto diz que o diálogo pode ser feito estabelecido com qualquer partido, embora reconheça que CDS-PP e PS “estão mais próximos”.

De fora, fica só o Chega. “Há um partido com o qual nós excluímos fazer acordos, que é o Chega, por uma questão de extremismo, e nós rejeitamos essas posições. Enquanto não se moderar…”, disse, acrescentando que o PSD também dialogará com o partido liderado pro André Ventura, “desde que cumpra essa condição de se moderar”.

Sondagens são “boas notícias”

Já este sábado, à margem do congresso do PSD, que decorre em Aveiro, Paulo Mota Pinto considera que as sondagens mais recentes, que apontam para uma aproximação entre PSD e PS, “são boas notícias” para o partido.

Uma sondagem feita pela Aximage para o grupo Global Media – Diário de Notícias, Jornal de Notícias e TSF –, divulgada este sábado, indica um empate técnico entre PS e PSD, se as próximas eleições legislativas se realizassem hoje.

Se as eleições legislativas se realizassem hoje, o PS obteria 35,4% dos votos, segundo a sondagem, ficando 2,2 pontos percentuais à frente do PSD.

Esta diferença de 2,2 pontos percentuais entre os dois partidos é inferior à margem de erro da sondagem, que é de 3,44%.

Além disso, as intenções de voto nos três partidos de esquerda que formaram a base de apoio do governo desde 2015 – PS, BE e CDU – desceram abaixo dos 50%, caindo 4,1 pontos percentuais face ao anterior estudo da Aximage, feito em novembro.

Isto acontece mesmo com a subida de 0,5 pontos percentuais da CDU, liderada por Jerónimo de Sousa, que viu a proporção de intenções de voto crescer para 5,1%.

As intenções de voto no PS, liderado por António Costa, caíram 3,1 pontos percentuais, enquanto no Bloco de Esquerda (BE) a erosão foi mais significativa, de 1,5 pontos percentuais.

Comparando com o anterior estudo de novembro, regista-se o crescimento do PSD, liderado por Rui Rio, com as intenções de voto a aumentarem 8,8 pontos percentuais, para 33,2%.

O trabalho de campo para este estudo decorreu entre os dias 9 e 13 de dezembro de 2021, com 810 entrevistas feitas, já depois da vitória de Rui Rio nas diretas do PSD, confirmada a 27 de novembro.

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