Movvo avança com escritórios em Hong Kong e Médio Oriente

É comum repetir a frase “é preciso aproximar os estudantes universitários da realidade empresarial”. No caso da Movvo não foi preciso fazer muito para que isso acontecesse. Depois de quatro anos de desenvolvimento e testes, Diana Almeida, Suzy Vasconcelos e Roberto Ugo, os três fundadores da Movvo, estavam prontos para lançar uma tecnologia para detectar […]

É comum repetir a frase “é preciso aproximar os estudantes universitários da realidade empresarial”. No caso da Movvo não foi preciso fazer muito para que isso acontecesse. Depois de quatro anos de desenvolvimento e testes, Diana Almeida, Suzy Vasconcelos e Roberto Ugo, os três fundadores da Movvo, estavam prontos para lançar uma tecnologia para detectar padrões de movimento dos consumidores em espaços fechados. A empresa, com sede em Matosinhos acabou por nascer de um spin-off académico que começou em 2009, quando os três fundadores estavam a estudar na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto. A aplicação do conhecimento ao negócio estava clara na mente dos três estudantes. Hoje a Movvo está em 180 centros e espaços comerciais, em 9 países. Actualmente, a empresa, que foi constituída em 2010 ainda com outro objectivo, conta com 34 colaboradores, “a maior parte developers, engenheiros, e quatro pessoas na área comercial. O nosso produto não é apenas o software, temos também a parte de instalação”, diz Roberto Ugo.

A empresa ainda não atingirá este ano o break even “por pouco”, mas chegará lá “em 2016, quase de certeza. Os três primeiros anos foram de desenvolvimento e quase só investir”, afirma Roberto Ugo.

Em 2014, o volume de negócios ascendeu a 600 mil euros e este ano a previsão aponta para os 2 milhões de euros, dois quais cerca de 60% são provenientes do estrangeiro. “A carteira de clientes em Portugal é bastante limitada e os grandes grupos estão todos lá fora. Portugal é mesmo só para desenvolver e testar o produto”, refere Roberto Ugo.

Aquele responsável adianta que está “a negociar a abertura de um escritório em Hong Kong e outro no Médio Oriente, nos Emirados Árabes, porque são mercados com centros comerciais muito grandes ou com grandes grupos de retalhistas, mercados que estão a crescer. São os mercados chave para ir nos próximos anos”.

Parece fácil, mas não é, garante Roberto Ugo. Porque para arrancar e crescer é preciso dinheiro. “Em Portugal não é fácil conseguir logo dinheiro para investimento. E em comparação com o que se passa nos Estados Unidos, nós demoramos muito tempo a ter um produto fechado”, diz.

Mas, o que faz realmente a Movvo? A empresa desenvolveu um sistema que captura frequências de rádio emitidas por qualquer sinal de telemóvel ou aparelho móvel. As antenas da Movvo identificam qualquer sinal emitido por um aparelho móvel e os dados são enviados para os seus servidores. Esses dados podem ser consultados em qualquer altura e em qualquer parte através do acesso a um dashboard específico. O sistema consegue recolher os dados de forma anónima (deteta apenas o aparelho móvel e não o número de telefone), possui patente mundial e tem Selo de Privacidade Europeu. Cerca de 98% da cobertura é realizada utilizando WI-FI e Tecnologias GSM, conseguindo fazer a identificação de localização num metro quadrado. O sistema é passivo sem necessidade de interacção ou utilização de qualquer aplicação.

 

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Com o sistema da Movvo os donos de centros comerciais e lojas conseguem melhorar a disposição da loja, optimizar o seu espaço e a sua rentabilidade, potenciar o cross-selling e medir o resultado obtido com as diferentes exposições do produto dentro do seu espaço. Na verdade, a Movvo consegue dar a conhecer a forma como os clientes de um espaço interagem e circulam, dando informação sobre o caminho mais percorrido dentro do espaço, podendo assim os lojistas redefinir ou melhorar a exposição de produto dentro do espaço.

Acedendo a estes dados, os lojistas podem crie campanhas adequadas ao cliente, optimizar o orçamento de marketing e medir a eficácia e os resultados das campanhas e promoções efectuadas no ponto de venda. Por outro lado, torna-se mais fácil ajustar o horário dos colaboradores de forma a proporcionar uma melhor qualidade de serviço e uma melhor optimização de recursos.

O sistema desenvolvido pela Movvo conta ainda com alertas em tempo real para optimizar a manutenção do serviço e mesmo para evitar problemas de segurança, actuando o retalhista antecipadamente. Por outro lado, permite uma redução de custos operacionais e de serviço com informação e planeamento, ao mesmo tempo que permite uma melhoria da exposição de produto com informação sobre o comportamento padrão dos clientes. O sistema da Movvo identifica a necessidade de stock de acordo com o comportamento e procura dos clientes e permite a medição do resultado da introdução de novos produtos.

Outra das características do sistema é permitir o conhecimento da conversão de entradas de clientes no ponto de venda comparando com o número de pessoas que passam em frente á vitrine.

E se uma pessoa tem consigo mais de um dispositivo móvel, a informação não corre o risco de ficar errada? Os responsáveis pela Movvo explicam que se dois ou mais dispositivos entram no ponto de venda e nunca se separam durante a visita, o sistema considera que se refere apenas a um cliente.

Da Faculdade aos negócios

Diana, Suzy e Roberto deram os seus primeiros passos no domínio das tecnologias de micro-localização de interior em 2009, enquanto estudavam na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto. Tudo começou como um jogo. Numa das suas disciplinas, decidiram criar um algoritmo para ajudar um dos seus professores, que não gostavam de fazer compras, a gastar menos tempo nas lojas e centros comerciais. Um algoritmo matemático simples permitiu-lhes propor caminhos comerciais capazes de salvar inúmeras horas de compras por ano.
Após inúmeras horas de programação e testes, aqueles três jovens empreendedores desenvolveram o seu primeiro protótipo, com o qual venceram a edição de 2009 do Sapo Summerbits. Após esta vitória, a equipa decidiu arrancar com uma empresa. Originalmente chamada “Around Knowledge”, a empresa foi criada para comercializar a sua tecnologia, a que eles chamaram BIPS (Sistema de Posicionamento Interior Bluetooth). O principal objectivo era melhorar o conhecimento sobre como os compradores se movem em espaços fechados.
Em Maio de 2010, a equipa entra num novo desafio, o Building Global Innovators (BGI), um acelerador focado em tecnologia patrocinado e gerido pelo ISCTE-IUL e MIT Portugal, cujo objetivo é promover o surgimento e crescimento de startups de base tecnológica. O BGI foi um ponto de viragem na trajectória de crescimento da Movvo.

A filosofia do BGI é levar startups rapidamente ao modo de execução e ajudar a estabelecer rapidamente as redes internacionais de que necessitam para alcançar metas ambiciosas de escala. No final de 2011 a Movvo já tinha aperfeiçoado a sua tecnologia e seu protótipo, o que lhes permitiu atrair investidores iniciais fundamentais, como a Caixa Capital, a maior empresa de venture capital em Portugal.

Escolher o mercado alvo

Em Dezembro de 2013, a equipa da Movvo passa por outro desafio da sua história: a internacionalização. A empresa tinha acabado de garantir 600.000 mil euros de três business angels, um baseado em Boston, nos Estados Unidos e dois em Portgal. Agora tinham que decidir quais os mercados alvo e como entrar nesses mercados. Os três fundadores ficaram divididos sobre quais os clientes alvo e como posicionar a oferta da Movvo. Roberto Ugo acreditava que se deviam virar para o grande retalho. Suzy Vasconcelos, que era responsável pelas vendas, acreditava que os centros comerciais seriam o melhor mercado para alavancar o negócio. Diana Almeida, por sua vez, acreditava fortemente no transporte de massa, nomeadamente em soluções para optimizar o fluxo de passageiros. O debate foi intenso, mas uma decisão tinha de ser feita.

Primeiro a Movvo teria de escolher com cuidado que cliente ou clientes queria. Essa escolha seria muito importante para elaborarem um plano convincente que mostrasse a sua capacidade de criar valor acrescentado ao seu cliente, mas ao mesmo tempo tinham de demonstrar aos investidores que a equipa escolhia um mercado atraente para apostar.
Por outro lado, a Movvo teria de deixar clara a sua diferenciação face aos concorrentes já existentes no mercado e garantir que não seriam esmagados pelos outros players.

Uma das estratégias da Movvo passou logo por partilhar os seus dados com investigadores de estatística, econometria e marketing, de tal forma que eles pudessem produzir novos conhecimentos com base nos dados recolhidos pela empresa e demonstrar o valor da sua tecnologia.

A tecnologia da Movvo encaixou-se perfeitamente nas necessidades de gestão de dados das grandes superfícies, o que atraiu investidores e permitiu o rápido crescimento inicial. Mas, Suzy, Diana e Roberto tiveram de perder algum controlo da empresa para financiar o crescimento. No entanto, juntos, eles ainda mantinham 70% da empresa. A empresa abriu também um escritório nos Estados Unidos, no Silicon Valley’s Plug and Play Technology Center, com o objectivo de construir uma equipa de vendas e marketing forte, e estabelecer laços importantes com outros empresários e, sobretudo, os investidores-chave.

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