Mulher de Fernando Medina abandona cargo de diretora jurídica da TAP no dia em que o marido chega a ministro

“Por motivos que são públicos, comuniquei hoje à comissão executiva a cessação das minhas funções”, adiantou Stéphanie Sá Silva, notando que a sua saída se deve ao novo desafio profissional do marido, Fernando Medina, na pasta das Finanças.

A mulher de Fernando Medina anunciou na quarta-feira que cessa todas as funções enquanto diretora jurídica da TAP. O anúncio de Stéphanie Sá Silva chegou no mesmo dia em que o marido foi empossado como ministro das Finanças, substituindo João Leão.

“Vira-se hoje uma página, quatro anos após ter iniciado funções como diretora jurídica da TAP”, escreveu a mulher de Medina no LinkedIn numa mensagem de despedida.

Stéphanie Sá Silva fez questão de ser transparente na sua mensagem e atribuiu a sua saída à realidade: a subida de Fernando Medina, ex-autarca da cidade de Lisboa, a ministro das Finanças do XXIII Governo Constitucional, uma vez que este será o responsável pela atribuição dos fundos à companhia aérea, a par com o Ministério das Infraestruturas.

“Por motivos que são públicos, comuniquei hoje à Comissão Executiva a cessação das minhas funções”, adiantou. “Termina aqui um período de grande realização profissional, marcado por transformações profundas na empresa e onde o departamento jurídico foi permanentemente convocado a novos níveis de desempenho”.

A profissional fez questão de agradecer ainda à equipa que a acompanhou ao longo dos quatro anos em que esteve no cargo, assumindo que os prémios foram mais que merecidos.

A mulher de Medina optou por deixar “uma palavra de reconhecimento a todos os administradores que ao longo destes anos renovaram e reforçaram a confiança no nosso trabalho”. Para já, Sá Silva não avança que novo projeto vai abraçar.

Sá Silva ingressou na TAP no tempo de David Neeleman, em 2018. Antes de ocupar o cargo de diretora jurídica, Stéphanie Sá Silva era da equipa de Diogo Perestrelo, advogado do então acionista privado da TAP, Neeleman, que entretanto saiu da companhia.

Entre polémicas, a ex-advogada da PLMJ foi uma das trabalhadoras que recebeu um prémio de desempenho em 2019, referente ao ano anterior, apesar de ter entrado a meio do ano. O ministro das Infraestruturas, que tutela a TAP, criticou então a gestão privada de Neeleman devido às perdas registadas pela empresa e o Estado viria a assumir a gestão maioritária em 2020.

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