Mulheres na tecnologia – Muitas, poucas ou quase nenhumas?

A história revelou-se sempre mais difícil para as mulheres do que para os homens.

Os arquétipos que teimam em tornar a viagem do feminino mais lenta validam a inclusão da igualdade de género nos “Objetivos de Desenvolvimento Sustentável” (ONU 2015). Parece coisa do século passado, distante da realidade Europeia.

 

Precisamos de queimar mais sutiãs?

Coisas de homens, de mulheres? A dicotomia não é um problema em si. A forma como ela se expressa na vida de muitas mulheres, sim e fica mais exposta à medida que conhecemos diferentes realidades. No livro Innovating Women: The Changing Face of Technology, escrito por diferentes mulheres do mundo das tecnologias, Brooks Bell, alerta-nos para o que ela designa de “female tax”, ou seja, tudo que uma mulher precisa de fazer a mais quando comparada com um homem. Ela escreve: “…wear a bra/ put on makeup/ wear fitter (more tightly fitting or tailored) clothing/ often wear heels/ do our hair/ moisturize/ stay in shape/ keep our wardrobe in style…” Que igualdade é esta que simbolicamente “exige” mais de um lado do que de outro?

A década de 80 abriu as portas das tecnologias ao mundo, todos podiam aceder sem restrições a um admirável mundo novo. Por esta altura, a percentagem de mulheres programadoras era mais elevada do que é agora (Recording Gender: Womans Changing Participation in Computing) Se assim era, o que é que mudou deste então?

 

Mulheres na tecnologia, will we survive?

Ada Lovelace viveu no século XIX, estudou matemáticas (incomum para uma mulher daquela época) e ficou conhecida como a primeira programadora de toda a história. Entre Ada e os dias de hoje, o que é que aconteceu para que as mulheres, ficassem pelo caminho? O pensamento tecnológico transmite-nos liberdade, igualdade. Ele é transversal, plural, no entanto, as mulheres continuam a ser desencorajadas de estudarem áreas associadas às tecnologias (STEM). Porque é que continuamos a fazer questão de deixar as mulheres de fora do mundo das tecnologias? A resposta não é linear e são muitas as mulheres e homens que tentam quebrar o “enguiço” histórico inerente a esta condição. Se por um lado, a existência de organizações como as GeekGirlsCarrots e Women in Tech revelam que as mulheres vieram para ficar, por outro, poderemos afirmar que tudo isto é um sintoma social preocupante.

O mundo dito civilizado tem acesso privilegiado a quase tudo, em especial à informação, mas a quantidade que nos entra porta adentro é tanta que por vezes não temos tempo para que possamos pensar sobre ela. Inundados pela rapidez e pela quantidade, não nos apercebemos que os problemas inerentes ao ser-se mulher são-nos mais próximos do que imaginávamos. Em Portugal, as empresas cotadas em bolsa comprometeram-se a aumentar as cotas de mulheres em cargos de conselho de administração em pelo menos 30% até 2018. Se no nosso país isto é necessário, algo não está estado bem e a evolução do mundo moderno tem sido uma mentira camuflada e muito pouco pensada.

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