Mundial2018: Os pontos fortes e fracos do próximo adversário da seleção de Portugal

Defesa vulnerável, meio-campo lutador e ataque de topo mundial. A seleção do Uruguai não será um adversário fácil para Portugal no jogo dos oitavos-de-final do Campeonato do Mundo de Futebol, agendado para o próximo sábado em Sochi, Rússia. Os goleadores Luis Suárez e Edinson Cavani raramente ficam em “branco”.

Agora já não há volta a dar. A seleção portuguesa de futebol classificou-se na segunda posição do Grupo B (tendo os mesmos pontos e a mesma diferença de golos da Espanha, acabou por ser o número de golos marcados a desempatar a contenda ibérica) e vai defrontar o Uruguai nos oitavos-de-final, além de ter sido catapultada para o quadrante teoricamente mais difícil (onde vão concentrar-se os adversários mais temíveis, como a França, Brasil, Alemanha e possivelmente a Argentina) da fase final do Campeonato do Mundo de Futebol, a decorrer na Rússia.

O que vale o Uruguai? Iniciou a competição sem grande chama, obtendo vitórias sofridas frente ao Egipto e à Arábia Saudita, ambas por 1-0. No embate decisivo contra a anfitriã Rússia, porém, o futebol uruguaio explodiu (não sem o auxílio da expulsão precoce de um jogador russo, Igor Smolnikov, aos 36 minutos de jogo, mas o resultado nessa altura já estava em 2-0) e a dupla de avançados-centro funcionou em pleno: Luis Suárez voltou a fazer estragos na baliza adversária e Edinson Cavani estreou-se a marcar. É esse o ponto forte do Uruguai: uma dupla de avançados de topo mundial, embora não pareçam estar tão eficazes na seleção como nos respetivos clubes.

Quanto ao ponto fraco, situa-se no lado oposto do campo: a defesa. Apesar da veterania, Diego Godín (Atlético Madrid) é um dos melhores defesas centrais do mundo e o novato José Giménez segue-lhe os passos no mesmo clube, treinado por Diego Simeone e muito forte ao nível defensivo (sofre muito poucos golos desde há várias épocas consecutivas). Ou seja, o problema não está no eixo central, mas nas faixas laterais (Guillermo Varela não impressiona e Martín Cáceres é lento, ao ponto de o selecionador Óscar Tabárez já ter experimentado o jovem Diego Laxalt a lateral-esquerdo no último jogo, introduzindo mais velocidade naquela faixa) e na baliza (Fernando Muslera é esforçado mas não garante segurança).

Esta dicotomia entre um ataque fortíssimo e uma defesa mais vulnerável ficou patente, aliás, na fase de qualificação para o Campeonato do Mundo de Futebol. O Uruguai classificou-se na segunda posição da zona sul-americana, atrás do Brasil e à frente da Argentina, Colômbia e Peru. Marcou 32 golos (o segundo melhor ataque, apenas superado pelos 41 golos do Brasil) e sofreu 20 (apenas a quarta melhor defesa). Por outro lado, o Uruguai não sofreu um único golo na fase de grupos, embora tenha defrontado adversários menos poderosos como o Egipto e a Arábia Saudita (além da Rússia, com 10 jogadores na maior parte do jogo).

 

A batalha pelo controlo do jogo

No meio-campo destaca-se uma jovem estrela em ascensão, Rodrigo Bentancur, talento impressionante ainda à procura do seu espaço na Juventus. Na seleção, Bentancur joga ao lado de Matías Vecino, titular do Inter de Milão (onde João Mário não conseguiu singrar). Lucas Torreira é outro jovem que está a evoluir no futebol italiano, peça essencial da Sampdória e prestes a dar o salto para um clube mais forte. Juntamente com Nahitan Nández, menos promissor, são quatro médios que exploram pouco as faixas laterais e sobrepovoam o centro do terreno. Será uma batalha complicada para Portugal nesse setor, até porque os dois médios-centro portugueses deverão ficar, por vezes, em inferioridade numérica perante os três ou quatro médios-centro uruguaios (o veterano extremo Cristian Rodríguez também costuma jogar e Laxalt poderá adiantar-se mais no terreno).

Em suma: defesa vulnerável, meio-campo lutador e ataque de topo mundial. Neutralizar Suárez e Cavani será fundamental, mas a batalha do meio-campo também poderá fazer a diferença, sobretudo para quem controlar o ritmo do jogo e a posse de bola. Se Bentancur e Vecino não conseguirem municiar a dupla de avançados, além de Laxalt pela faixa esquerda, a defesa portuguesa terá menos trabalho. Outro detalhe a ter em atenção são os livres diretos nas proximidades da grande área: tanto Suárez como Cavani batem com força e colocação, podendo resolver o jogo dessa maneira. Do lado oposto do campo, urge explorar a maior debilidade uruguaia: as faixas laterais. É também a partir das faixas que poderão surgir cruzamentos para a grande área, onde Godín e Giménez nem sempre conseguem resguardar a equipa da insegurança de Muslera no jogo aéreo.

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